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Fotógrafo registra raro momento de gato-mourisco com filhote no Pantanal

Gato-mourisco e filhote em rara aparição na presença de humanos, no Pantanal de MS - Reprodução/ Edir Alves/ Fazenda San Francisco
Gato-mourisco e filhote em rara aparição na presença de humanos, no Pantanal de MS Imagem: Reprodução/ Edir Alves/ Fazenda San Francisco

Caio Santana

Do UOL, em São Paulo

05/08/2021 15h38Atualizada em 06/08/2021 09h20

Animal silvestre de raro avistamento na natureza e em risco de extinção, um gato-mourisco e seu filhote foram flagrados por um fotógrafo em cima de um cupinzeiro no Pantanal Sul, no município de Miranda (MS).

O autor do clique é Edir Alves, fotógrafo e guia pantaneiro que trabalha há 15 anos no local e desde 2012 está na Fazenda San Francisco, localidade onde em junho turistas se depararam com uma onça-pintada em uma passarela. "O gato-mourisco é muito arisco e isso faz com que seja muito raro conseguir uma imagem em vida livre", disse Edir em entrevista ao UOL.

A foto foi feita na terça-feira e compartilhada no Instagram de Edir Alves. Ele contou que já vinha avistando com outros colegas o animal na área há alguns meses. Por isso, ele deduziu que a aparição seria de uma fêmea prenhe ou com filhote recém-nascido.

"Estávamos certos! A suspeita foi comprovada ontem (terça) após eu conseguir esta imagem da mãe com filhote em cima de um cupinzeiro no mesmo território das últimas aparições", escreveu ele.

Foi a primeira vez que ele conseguiu uma foto do tipo em 15 anos de trabalho na região. "Foi muito rápido e estava a uma distância de 70 metros. Logo eles perceberam e desapareceram na vegetação", relatou Edir.

Ameaça de extinção

O gato-mourisco, que na língua tupi-guarani quer dizer gato cinzento/escuro ou "o quarto gato", em referência as outras três espécies que eram conhecidas pelos indígenas (jaguatirica, gato-do-mato e gato-palheiro), mede até 60 centímetros de corpo e até 50 centímetros de cauda.

foto 1 - Reprodução/ Edir Alves/ Fazenda San Francisco - Reprodução/ Edir Alves/ Fazenda San Francisco
Fotógrafo precisou fazer cliques rápidos até os animais desaparecerem na vegetação novamente
Imagem: Reprodução/ Edir Alves/ Fazenda San Francisco

"São animais solitários e territorialistas, como todos os felinos da América do Sul. [...] Sua área de território pode variar de 5 a 25 quilômetros quadrados, dependendo se é um local de floresta [como na Amazônia] ou mais aberto [como no Cerrado]", explica ao UOL, Marcelo Oscar Bordignon, professor do Instituto de Biociências da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

O animal se distribui desde o sul do estado do Texas, nos Estados Unidos, até a Patagônia, na Argentina. Mas, conforme classificação da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), esta espécie encontra-se vulnerável. Segundo o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), no Brasil o gato-mourisco está na lista de espécies ameaçadas de extinção da fauna brasileira.

"Não é um animal comum de se avistar na natureza, pois a maioria dos felinos é silenciosa, discreta e tenta evitar a presença humana", disse o professor especialista em mamíferos, que entre 2014 e o período pré-pandemia, monitorou uma área na cidade sul-mato-grossense de Nova Andradina em uma pesquisa sobre a fauna na localidade.

"Durante pelo menos três anos monitorando uma área mensalmente com 10 câmeras, consegui apenas um registro desta espécie, sendo mais comum o aparecimento de onças parda e pintada, jaguatiricas e outros gatos-do-mato. Isso dá noção do quanto essa espécie é mais rara do que felinos selvagens que temos no País", ressalta Bordignon, que comemorou a presença do felino com filhote na Fazenda San Francisco.

foto 2 - Reprodução/ Edir Alves/ Fazenda San Francisco - Reprodução/ Edir Alves/ Fazenda San Francisco
A ideia inicial do fotógrafo era fazer cliques apenas deste tamanduá-bandeira e seu filhote
Imagem: Reprodução/ Edir Alves/ Fazenda San Francisco

Clique foi inesperado

Edir conta que o gato-mourisco não era o alvo original de seus cliques. "Estava centrado em fotografar um tamanduá-bandeira com filhote".

O registro só foi possível porque ele havia esquecido o celular no barco que acompanha turistas, encontrando na volta o tamanduá. "Desci do carro e comecei a fotografar". Nesse meio tempo apareceu o gato-mourisco e ele continuou os cliques com a câmera que sempre o acompanha.

"Nem passava pela minha cabeça [fotografar o gato-mourisco]", confessa o fotógrafo amador que salientou não ser profissional, apesar de fazer cliques surpreendentes do Pantanal e, em especial, da cidade de Miranda.

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