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Turista desaparece no Guarujá, e família desconfia de mensagens no WhatsApp

Matheus Henrique de Albuquerque, de 28 anos, está desaparecido há 17 dias - Arquivo Pessoal
Matheus Henrique de Albuquerque, de 28 anos, está desaparecido há 17 dias Imagem: Arquivo Pessoal

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos

09/08/2021 13h12Atualizada em 09/08/2021 14h59

Morador de Ribeirão Preto, Matheus Henrique de Albuquerque, de 28 anos, está desaparecido há 17 dias. Ele estava visitando o Guarujá, no litoral de São Paulo, na companhia de amigos. A Polícia Civil está investigando o caso, mas a mãe teme que o filho não esteja mais vivo, após receber mensagens de WhatsApp e ligações suspeitas.

Matheus estava hospedado em um apartamento no bairro da Enseada e foi visto pela última vez no dia 25 de julho. Amigos que estiveram com Matheus relataram que o turista estava em uma casa noturna da cidade quando o avistaram deixando o local, na companhia de desconhecidos, em direção ao Morro Vila Baiana.

O morro está localizado a pouco mais de 1 km da praia da Enseada e é conhecido por abrigar traficantes e membros do crime organizado. Ele foi visto pela última vez no domingo, dia 25, data em que deveria voltar para o interior paulista. Mas o jovem não retornou ao apartamento para pegar suas roupas. Ele teria dito aos colegas que iria resolver algumas questões na cidade.

"Ele não me avisou o que ia fazer essa viagem", contou, em lágrimas, a mãe de Matheus Maria da Conceição Ferreira, de 69 anos, ao UOL . "Eu havia saído para resolver umas questões familiares e, quando retornei, ele já não estava mais em casa."

Matheus é o caçula dos oito filhos de Conceição. Ela disse que, além de ser o mais jovem, também é o mais ingênuo. "Ele é baladeiro e acredita em todo mundo. Não vê maldade nas pessoas, acha que todos são amigos. Mas não é assim. Por isso, acaba se envolvendo com gente que não presta".

Muito abalada com o desaparecimento do filho, Conceição conta que soube que ele estava no Guarujá por intermédio de amigos, que viram algumas postagens no Instagram. Soube também que o grupo que estava com ele deixou o apartamento no dia 26, mas que Matheus não estava junto.

Mensagem e ligação suspeitas

A mãe de Matheus conta que desde o início tentou contato com o filho e recebeu retorno, mas não o reconheceu nas ligações e mensagens.

guarujá - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Matheus Henrique de Albuquerque, de 28 anos, está desaparecido há 17 dias
Imagem: Arquivo Pessoal

"Eu comecei a ligar, desesperada, para o celular dele, mas não atendia. Passei então mensagens no WhatsApp. Na quarta-feira (28), recebi uma resposta, mas achei muito suspeita. Era mensagem de texto. Ele demonstrou achar engraçado o que estava acontecendo e ainda escreveu 'kkkkk'. Meu filho nunca escreveria desse jeito".

A família então começou a desconfiar que outra pessoa, de posse do celular de Matheus, havia respondido à mensagem da mãe aflita. A partir daí, pressentindo o pior, Conceição passou a ligar diversas vezes para o filho, mas o telefone permaneceu desligado.

Recentemente, ela recebeu uma ligação de um telefone celular com DDD de Recife, em Pernambuco. Um homem, com uma voz estranha, dizia que ia 'dar um jeito de liberar' Matheus.

"Não era a voz de uma pessoa normal. Eu senti a maldade, foi muito estranho. Eu disse para ele: 'Em nome de Jesus, solta o meu filho'. Mas ele desligou. Foi quando me bateu um sentimento de que o meu filho já não está mais entre nós, que ele está com Deus agora. Eu sinto que ele já não está mais vivo", lamenta a mãe.

Conceição afirmou que Matheus, que trabalha como entregador de mercadorias para o Mercado Livre, chegou a ser assaltado a mão armada meses atrás, enquanto fazia uma entrega no município de Dumont (SP), a 20 km de distância de Ribeirão Preto.

"Levaram toda a mercadoria, ameaçaram ele. Mas não acho que isso tenha a ver com o que aconteceu no Guarujá. Acho que foi outra coisa. Ele anda com esses filhos de gente rica e a gente sabe que a maioria é tudo tranqueira, não tem juízo".

O UOL entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP), para obter mais informações sobre o caso, mas até o fechamento desta matéria, não havia obtido respostas.

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