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Operador de 'faraó dos bitcoins' movimentou R$ 14,7 mi em um ano, diz PF

João Viana é apontado pela PF como um dos principais operadores financeiros do "faraó dos bitcoins" - Reprodução/Rede Social
João Viana é apontado pela PF como um dos principais operadores financeiros do 'faraó dos bitcoins' Imagem: Reprodução/Rede Social

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio

09/09/2021 20h14

Foragido da Justiça, João Marcus Pinheiro Dumas Viana é apontado pela Polícia Federal com um dos principais operadores financeiros da G.A.S Consultoria Bitcoin —empresa investigada por operar esquema bilionário através de pirâmide financeira.

Segundo a Receita Federal, João Viana movimentou cerca de R$ 14,7 milhões só em 2020. A empresa pertence a Glaidson Acácio dos Santos, preso pela PF que ficou conhecido como o "faraó dos bitcoins".

Um investidor que alugou há seis anos um apartamento para João Viana em Cabo Frio, na região dos Lagos do Rio de Janeiro, disse hoje à PF que foi ameaçado por seguranças da empresa.

A PF e a Receita realizaram nesta quinta (9) a 2ª fase da Operação Kryptos, quando João Viana teve decretada sua prisão preventiva. Na primeira etapa, Glaidson foi preso acusado de chefiar uma organização criminosa.

"Ele morava em uma quitinete que eu aluguei pra ele e a esposa há seis anos. Só andava de bicicleta lá em Cabo Frio. Ele ficava me apresentando o bitcoin, mas dizia que não tinha como investir", fala o investidor, que terá o nome mantido sob sigilo por questões de segurança.

Ao UOL, ele contou que após muita insistência, João Viana conseguiu convencê-lo a entrar no mundo das criptomoedas —foram investidos R$ 35 mil, dinheiro de uma herança.

Ficou acordado entre os dois que, um ano depois, ou seja, em outubro, o dinheiro retornaria para o investidor. Mas após ele ter acesso ao contrato, viu que o prazo estabelecido era de dois anos.

O investidor então se negou a assinar o documento. Ele relatou que um dos seguranças de Glaidson o ameaçou em razão da recusa.

"[O segurança afirmou:] o Glaidson e nós já estamos cheios de você. Se eu morrer hoje, você perde seu dinheiro, porque está ligado a nós, como também se você morrer, você perde seu dinheiro. Eu falei: 'Você está me ameaçando de morte dentro da igreja?'. Ele respondeu: 'Entenda como quiser'. Eles já me ameaçaram três vezes."

O investidor é morador de Cabo Frio e foi até a Polícia Federal, no centro do Rio, para fazer a denúncia. "Eu vim porque eu quero meu dinheiro e fui ameaçado. Eu investi R$ 35 mil, porque preciso fazer uma cirurgia e precisava desse dinheiro para agora."

Da vida simples ao luxo

O investidor conta que o apartamento alugado por João Viana era uma quitinete que ele morou com a esposa por cerca de dois anos.

Em 2017, segundo o investidor, tudo mudou: João Viana apareceu com carro de luxo e saiu do pequeno apartamento em Cabo Frio para um condomínio na Barra da Tijuca, na zona oeste carioca.

A movimentação milionária no ano passado chamou a atenção dos auditores já que o valor não era compatível com a renda mensal de João Viana como técnico em eletricidade.

Contra ele foi expedido um mandado de prisão, mas ele não foi encontrado. As investigações mostraram que as contas bancárias de João e de sua mulher serviam para movimentar recursos do dono da empresa.

Outro lado

Ao UOL, a advogada de João Viana, Luiza Souza, disse que não teve acesso aos autos do processo e que, por isso, não tem explicações sobre a operação da PF.

A defesa diz que o suspeito "possui reputação ilibada tendo alcançado sua ascensão social dentro dos parâmetros legais com muito esforço, resiliência e dedicação como qualquer outro brasileiro".

Sobre a denúncia do investidor, a advogada afirmou que "o contrato com vigência de 24 meses está sendo cumprido da forma que foi celebrado entre as partes no momento de sua tradição, não havendo qualquer imposição de vontade, fraude ou descumprimento deste".

A defesa acrescenta que "em momento nenhum" existiu ameaças contra o investidor e que "está sendo providenciada a medida legal cabível".

A reportagem também procurou a defesa de Glaidson, mas não obteve retorno.

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