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Foi uma 'operação vingança', diz defensora pública sobre chacina no Rio

Colaboração para o UOL

23/11/2021 09h11Atualizada em 25/11/2021 13h54

Na avaliação da defensora pública Maria Júlia Miranda, do Rio de Janeiro, a operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, após a qual oito corpos foram encontrados no domingo (21), foi uma "operação vingança" em retaliação à morte de um policial na região no dia anterior.

"Uma operação que se caracteriza como 'operação vingança'. A operação terminou após 33 horas seguidas, um dia após a morte de um policial militar", observa em entrevista ao UOL News hoje (23).

Maria Júlia também destaca o fato de os policiais não terem nem feito o registro do ferimento de uma senhora de 71 anos: "Existe uma estigmatização do território da favela, como se, obrigatoriamente, estivessem submetidos à violência do Estado."

O Ministério Público já instaurou processo investigatório sobre a chacina. "Precisa ser apurado. A política pública precisa ser compreendida como uma forma decente de fazer essas operações", disse a defensora.

Corpos identificados

A Polícia Civil informou na tarde de ontem que identificou sete dos oito corpos que chegaram ao Posto Regional de Polícia Técnico-Científica em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Todos foram retirados por moradores, na manhã de ontem, de uma região de mangue do Complexo do Salgueiro. Nenhuma das identidades foi revelada.

De acordo com a Polícia Civil, cinco dos homens já identificados possuem anotações criminais. A corporação não informa, porém, as tipificações dos crimes.

Moradores que participaram da retirada relatam que contaram 11 corpos. Em nota, a Faferj (Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro) cita 14 mortes, sendo três meninas.

Taxas de negros mortos

O estado do Rio de Janeiro tem oito entre as dez cidades com as maiores taxas de negros mortos pela polícia, segundo aponta levantamento inédito feito pelo UOL com base em dados de 2020 coletados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. São Gonçalo (RJ), onde ao menos oito pessoas foram retiradas mortas de um mangue na segunda-feira (22), é a quarta da lista.

O país registrou 5.092 assassinatos de pessoas negras em intervenções policiais no ano passado. É o equivalente a 78,9% das 6.416 mortes no período, o maior índice de letalidade policial desde 2013, quando a pesquisa começou a ser registrada pelo Anuário de Segurança Pública, divulgado em julho deste ano.

A lista foi elaborada com base no cruzamento entre as mortes de pessoas negras em ações policiais e a população dos municípios onde ocorreram os crimes. Dos oito municípios do Rio apontados no levantamento, sete ficam na região metropolitana do Rio: São Gonçalo, Japeri, Itaguaí, Belford Roxo, Queimados, Mesquita e São João de Meriti. Angra dos Reis fica na Costa Verde fluminense.

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