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Peço até ajuda de garimpeiro, diz representante yanomami sobre surto no RR

Presidente do Condisi-YY, Júnior Hekurari Yanomami relata dificuldades no atendimento médico a comunidades - Arquivo Pessoal
Presidente do Condisi-YY, Júnior Hekurari Yanomami relata dificuldades no atendimento médico a comunidades Imagem: Arquivo Pessoal

DO UOL, em São Paulo

25/11/2021 14h06

O presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami, diz que recorre a garimpeiros em meio a um surto de malária em comunidades indígenas de Roraima. Segundo ele, isso é resultado da falta de atendimento médico na região.

Em entrevista ao podcast Ao Ponto, do jornal O Globo, Júnior afirma que recebe contato de garimpeiros com mensagens de indígenas pedindo socorro.

"Os garimpeiros têm internet dentro da floresta, melhor internet de satélite. Eles (yanomami) pedem ligação, chamado, viva voz, foto para pedir socorro... 'olha, meu filho está doente'. Daí até peço ajuda dos garimpeiros. 'Olha, você tem termômetro, remédio para baixar a febre?'. Eles ajudam dando remédio, e se não tiver, (pergunto se) não tem como emprestar gasolina para levar esse paciente", disse.

O Condisi-YY, segundo Júnior, representa 30 mil indígenas, 75 unidades de saúde e 40 membros de conselheiros yanomamis, tendo como papel monitorar a situação das comunidades.

Localizado em Boa Vista, o órgão tem reclamado da falta de assistência médica do Dsei-Y (Distrito de Saúde Indígena Yanomâmi), responsável pelo atendimento médico na região e subordinado à Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), que faz parte do Ministério da Saúde.

Em meio a um surto de malária e aumento de casos de pneumonia e desnutrição entre crianças, Júnior afirma que não há medicamentos: "Falta cloroquina (para tratamento da malária) nas comunidades, segundo informações dos yanomamis e profissionais, não tem normalizado."

Impacto dos garimpeiros

Apesar de alguns garimpeiros oferecem ajuda, Júnior ressalta que a presença de atividades ilegais na região causa preocupação e afeta a saúde dos indígenas.

"A terra yanomami, desde 2018, sofreu bastante; os garimpeiros invasores entraram com tudo. Os rios estão destruídos, só tem lama, contaminados de mercúrio, cheiro de gasolina... crianças brincam no rio, bebem. A comunidade consome água que está suja. Garimpeiros estão trabalhando a 50 metros, 200 metros da comunidade", explica.

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