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Mega-Sena: 7 vezes em que novos milionários foram parar na Justiça

São vários os casos envolvendo vencedores milionários e a polícia e Justiça brasileira - GUILHERME DIONíZIO/ESTADÃO CONTEÚDO
São vários os casos envolvendo vencedores milionários e a polícia e Justiça brasileira Imagem: GUILHERME DIONíZIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

01/12/2021 04h01Atualizada em 01/12/2021 08h10

Um homem que ganhou R$ 20 milhões na Mega-Sena teve prisão decretada pela Justiça de Santa Catarina por dever R$ 160 mil de pensão alimentícia. Apesar de ele ter pago o que devia, este não é o primeiro caso em que as loterias viram caso de polícia ou vão parar na Justiça.

A alegria de ficar milionário da noite para o dia depois de acertar as seis dezenas já deu lugar a tramas de assassinato, brigas por herança e muita dor de cabeça. Por isso, reunimos outras histórias semelhantes que vão muito além da sorte no jogo.

1. Prisão decretada por não pagar pensão

O caso mais recente envolvendo Mega-Sena e Justiça ocorreu nesta semana depois que um homem teve a prisão decretada pela Justiça de Santa Catarina devido ao não pagamento de pensão alimentícia no valor total de R$ 160 mil, desde abril de 2019, para sua filha que tem microcefalia. Após a decisão da Justiça vir a público, Altamir da Igreja efetuou o pagamento da pensão.

Altamir saiu vitorioso da Mega em 2001, mas só em 2007 retirou parte do prêmio, já que ele travou disputa com um homem pelo bilhete. Os dois acordaram em dividir o prêmio de R$ 27 milhões, corrigido na época para mais de R$ 40 milhões.

2. Amigo da onça (de R$ 50 aos milhares)?

Um ex-morador da Vila Cruzeiro, que fica na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, teve a vida completamente mudada quando ganhou um prêmio de R$ 100 milhões na Mega-Sena, em 2017. Para ajudar a administrar a bolada, o homem confiou no seu amigo, André Luiz Lobo, mas se surpreendeu quando, dois anos depois, desconfiou da vida de luxo que o homem estaria levando provavelmente às suas custas.

Após investigações, a Polícia Civil prendeu o suspeito temporariamente em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, em dezembro de 2019, segundo o Extra. Ele foi apontado como autor de desvio de dinheiro e imóveis do milionário, com os bens colocados em seu nome e no de familiares. Até uma construção no condomínio de alto padrão na Barra teria começado, no valor de R$ 4,5 milhões. O vencedor da Mega havia investido R$ 35 milhões, mas após registrar BO, restavam somente R$ 16 milhões e ainda assim não foi possível calcular todo prejuízo.

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Investigações apontaram que André Luiz Lobo estava roubando dinheiro da vítima milionária e foi preso temporariamente em 2019
Imagem: Reprodução/ Globoplay/ TV Globo

3. Pai suspeito de planejar morte de filho

Francisco Serafim de Barros era superintendente da FIEMT (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso) quando foi preso na sede da entidade, em 2010, suspeito de planejar a morte do próprio filho, Fábio Leão Barros, que havia ganhado na Mega Sena quatro anos antes. Ele era menor de idade e pediu para o pai guardar o dinheiro. O plano foi descoberto após dois homens serem presos e confessaram que foram contratados para matar o jovem.

Na época que ganhou o prêmio de R$ 28 milhões, o jovem, um instalador de vidros, havia afirmado que fizera um acordo com o pai para que ele recebesse o dinheiro em sua conta. Contudo, o pai não teria devolvido o dinheiro quando ele solicitou, transferindo a metade do valor para comprar fazendas de gado. Os homens contratados para o matar foram pegos com fotos do jovem milionário e sua namorada.

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Francisco Serafim de Barros foi preso em Cuiabá, no Mato Grosso, em 2010, suspeito de planejar morte do próprio filho
Imagem: Reprodução/ TV Bandeirantes

4. A 'viúva da Mega-Sena'

De origem humilde e com duas pernas amputadas devido a um caso de diabetes, Renné Senna, na época com 54 anos, ganhou sozinho R$ 51,9 milhões em julho de 2005. Em janeiro de 2007, ele foi morto a tiros no Rio de Janeiro e a polícia prendeu a viúva, Adriana Almeida, suspeita de ser mandante do assassinato, e mais cinco pessoas. Após ela ser absolvida do crime, o Ministério Público pediu anulação da decisão e, em novo julgamento, ela foi condenada a 20 anos de prisão, em dezembro de 2018.

Sempre alegando inocência, Adriana teve pedido negado de liberdade pela Justiça do Rio, em janeiro de 2020. Na semana passada, o jornal Extra revelou que a Justiça determinou que uma filha de Renné receba a metade dos R$ 43 milhões do prêmio, após recolhido os impostos, sendo a primeira movimento do dinheiro desde a morte dele. Adriana continua presa.

1 - REUTERS/Fernando Quevedo-Agencia O Globo - REUTERS/Fernando Quevedo-Agencia O Globo
Adriana Ferreira de Almeida, viúva de Rennê Sena, ganhador da Mega-Sena em 2005, é presa, no bairro Camboinhas, em Niterói, RJ. Ela é acusada de participar do assassinato do marido
Imagem: REUTERS/Fernando Quevedo-Agencia O Globo

5. A aposta 'despremiada'

Um grupo de 40 pessoas acreditou que iria dividir uma bolada de R$ 53 milhões após conferirem os números sorteados em um sorteio da Mega-Sena em fevereiro de 2010. Ocorre que as cotas do bolão único compradas na lotérica Esquina da Sorte em Novo Hamburgo (RS) jamais haviam sido registradas. Parte deles entrou na Justiça, mas teve pedido de indenização por danos morais negado em setembro de 2012.

foto 2 - Miro de Souza/Agencia RBS/Folhapress - 22.fev.2010 - Miro de Souza/Agencia RBS/Folhapress - 22.fev.2010
Moradores de Novo Hamburgo (RS) que acretaram as seis dezenas do concurso, mas a lotérica não registrou a aposta e o prêmio acumulou
Imagem: Miro de Souza/Agencia RBS/Folhapress - 22.fev.2010

6. Mais dinheiro, mais morte

Sete anos depois de ganhar R$ 39 milhões na loteria, o empresário Miguel Ferreira de Oliveira foi morto com três tiros enquanto bebia em um bar, em fevereiro de 2018. Ele havia se mudado de São Paulo para Campos Sales (CE), a quase 500 km de Fortaleza, em busca de uma vida mais pacata, chegando a ser conhecido na região como "o milionário da Mega-Sena".

Um dos suspeitos do crime, Antônio dos Santos, chegou a ser preso pela Polícia Civil do Ceará em abril de 2019, mas negou a acusação. Ele estava foragido da Justiça desde o crime e foi apontado como o autor dos disparos. Pouco mais de um ano depois e já em liberdade após habeas corpus, ele foi encontrado morto junto com outro homem, também em Campos Sales (CE), em junho de 2020. Na época a polícia abriu inquérito para investigar o duplo homicídio.

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Miguel Ferreira, ganhador da Mega-Sena, foi morto no CE em 2018; Antônio dos Santos, um dos suspeitos do crime, foi preso em 2019 e morto em 2020
Imagem: Divulgação

7. Sem bilhete legível, sem prêmio

Em maio deste ano um casal do Rio Grande do Sul que tentava resgatar um prêmio da Mega-Sena no valor de R$ 29 milhões de 2014 teve pedido de recurso negado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Os desembargadores decidiram que o bilhete deles estava muito danificado para ser válido. O casal que costumava apostar frequentemente na loteria, teria se descuidado e deixado a cédula que comprova a aposta na máquina de lavar junto às roupas.

Eles recorreram por alegarem que os números vencedores e identificação do concurso ainda eram legíveis. A Caixa invalidou a aposta deles e premiou outra pessoa sozinha, o que motivou a entrada na Justiça. Na primeira instância, eles chegaram a receber multa de 2% do valor do prêmio por "litigância de má-fé". Mas no TRF-4 ficou decidido apenas que o bilhete seria inválido e foi retirada a punição com a multa.

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