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Boate Kiss: Testemunha diz que fogos de artifício davam 'glamour' a banda

Alexandre Augusto Marques de Almeida é a 11ª pessoa a ser ouvida no julgamento dos réus da Kiss - Reprodução/TJ-RS
Alexandre Augusto Marques de Almeida é a 11ª pessoa a ser ouvida no julgamento dos réus da Kiss Imagem: Reprodução/TJ-RS

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

04/12/2021 13h29Atualizada em 06/12/2021 15h02

A testemunha Alexandre Augusto Marques de Almeida, 38 anos, disse hoje que o uso de fogos de artifício trazia "glamour" para as bandas. Ele é a 11ª pessoa a ser ouvida no julgamento dos quatro réus acusados pelo incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013. Esse é o quarto dia de realização do Tribunal do Júri, que tem previsão de se estender por cerca de 15 dias, em Porto Alegre.

Na época da tragédia, a testemunha fazia a produção da banda Multiplay, que inclusive se apresentava rotineiramente na Kiss. Marques era o responsável por uma série de funções, como acionar os fogos de artifício durante os shows.

"No dia que fomos tocar pela primeira vez, nós queríamos fazer bonito. O Marcelo (de Jesus dos Santos, um dos réus) sabe como funcionava: você vai em um local diferente e isso gera um certo glamour", explicou à advogada Tatiana Borsa, que representa o vocalista da banda Gurizada Fandangueira.

Marques explicou que Spohr negou o uso do artefato pirotécnico Sputnik na primeira vez que a banda foi se apresentar na Kiss e, por isso, nas vezes seguintes nem chegou a levar os fogos de artifício. A testemunha observou que, na época, o sócio da casa noturna argumentou que recentemente havia colocado uma cortina no palco. Além disso, foi negada a colocação de um banner no palco da Multiplay.

O ex-produtor explicou que, antes das apresentações, costuma inspecionar as casas noturnas para verificar se era seguro usar os artefatos. Porém, disse que não costumava avisar do uso do material aos donos das boates. "Isso era uma coisa nossa. Não era costumeiro solicitar às casas e nem avisar. Muita gente usava em vários lugares, era algo que deixava o show muito bonito, então não era costumeiro de perguntar (se podia usar)."

Segundo a investigação da tragédia, o incêndio na boate iniciou após o uso de artefatos pirotécnicos pela banda Gurizada Fandangueira. Uma faísca atingiu a espuma que revestia o teto e as chamas se alastraram, seguida de uma fumaça tóxica.

"Veio trazer mensagem equivocada", avalia promotora

No intervalo do júri, a promotora Lúcia Helena Callegari disse que o depoimento dele veio "trazer mensagem equivocada" e "dizer que a Kiss estava certa".

Questionada sobre a estratégia dela no retorno do intervalo, o representante do Ministério Público disse não iria "perguntar muito para não transformar o depoimento em massacre".

Marques foi chamado para depor no Tribunal do Júri a pedido do advogado Jader Marques, da banca de defesa do sócio da Kiss, Elissandro Spohr. Ele é um dos quatro réus em julgamento. Os outros três são Mauro Londero Hoffmann, também sócio da casa noturna, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira —o produtor musical Luciano Augusto Bonilha Leão e o músico Marcelo de Jesus dos Santos.

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