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Pernambucano percorre mais de 3 mil km para pagar promessa em SP

Pedro Guedes, de 80 anos, cumpriu promessa que havia feito em 2005 - Reprodução
Pedro Guedes, de 80 anos, cumpriu promessa que havia feito em 2005 Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

26/01/2022 04h01

Pedro Guedes, de 80 anos, completou no domingo (23), em Aparecida (SP), uma grande romaria que teve início em 2017 na cidade de Caruaru (PE). Com uma cruz de 4 metros de altura pesando um pouco mais de 33 kg, o pernambucano chegou a pé no interior de São Paulo para cumprir uma promessa que havia feito em 2005, após receber um diagnóstico de trombose. Ele retornou para casa na tarde de hoje, mas pretende continuar a caminhada - agora, em outros formatos.

A ideia da romaria começou quando os médicos informaram-lhe que a doença não teria cura e que ele poderia perder os movimentos das pernas. "Mas eu confiei em Deus", diz ele em entrevista ao UOL. A saúde do peregrino começou a piorar, mas em 2007 ele saiu pela primeira vez em devoção ao Divino Pai Eterno. O destino era Trindade, interior de Goiás. Durante oito anos, o pernambucano percorreu as estradas do país e só foi retornar para casa em 2015.

No entanto, o desejo de caminhar pela fé não parou por aí. Guedes sentiu que deveria carregar novamente a cruz pelo país e no dia 1 de outubro de 2017 deixou novamente a casa em Caruaru e com destino a Aparecida - desta vez, uma caminhada em devoção à Nossa Senhora Aparecida.

Com a cruz e um carrinho, onde guardava seus itens pessoais, presentes e mantimentos que recebia no caminho, Guedes diz ter percorrido cerca de 3.100 km. Da primeira vez, ele conseguiu percorrer 13 km.

O povo me recebeu e ainda recebe muito bem nas cidades que eu chegava, nas fazendas, nas vilas e povoados. Eu era sempre bem acolhido. O povo me dava lugar para dormir, comida, remédio... Onde eu chegava era recebido de uma maneira muito amorosa. O povo de Deus ainda não foi para o céu, está todo mundo aqui na Terra.

Guedes conta que recebeu muito apoio das pessoas nas estradas, em especial dos caminhoneiros, a quem ele se refere como grandes irmãos.
"Não esqueço nunca mais dos meus irmãos caminhoneiros. Eu estava no deserto, com fome, mas eles viam, paravam e me davam comida", relembra.

Com uma barraca no carrinho, o pernambucano conta que, às vezes, não conseguia encontrar lugares para passar a noite e que chegou a caminhar por mais de 80 km para encontrar um lugar longe da pista onde pudesse dormir. "Entrava para dentro do mato, armava a barraca e eu dormia e ficava conversando com Deus", diz ele.

pedro - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Pedro Guedes, de 80 anos, chegando para missa em Aparecida
Imagem: Arquivo pessoal

O filho, Francisco de Assis Guedes da Costa, de 37 anos, conta que a família ficou bastante apreensiva nas duas vezes que o pai deixou a casa. Além de Francisco, Pedro ainda é pai de mais três mulheres.

"Na primeira caminhada eu fui contra. Eu briguei com ele para não ir. Quando ele saiu de Caruaru, foi escondido. Eu tinha muita preocupação. Mas depois de seis meses, quando ele deu o sinal de que estava tudo bem, eu apoiei ele", relembra Francisco ao UOL. "A segunda foi pior porque ele estava mais idoso então a preocupação aumentava. Mas ele mandava vídeo todo dia para mim. A gente criou grupos de WhatsApp de apoio para que as pessoas mandassem notícias."

A peregrinação, no entanto, foi interrompida em 2020, pela pandemia do coronavírus. "Ele estava em Camanducaia (MG) quando o comércio fechou. Entraram em contato comigo e disseram que, como o meu pai era do grupo de risco, era melhor que ele deixasse a cruz em na Igreja da cidade e retornasse para casa, para voltar a fazer a caminhada depois da vacina. E assim ele fez"

Pedro foi diretamente para Camanducaia quando recebeu a imunização completa contra a covid-19 e conseguiu recuperar a cruz com as lembranças intactas após quase um ano. A peregrinação continuou por mais alguns meses e a chegada em Aparecida enfim foi comemorada.

O pernambucano conta que foi muito bem recebido no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida e que sentiu uma grande emoção ao conseguir finalmente assistir à missa. "O sentimento que eu to com a minha consciência limpa com Deus. E isso aí é muito importante. Realizei tudo. Eu quero que Deus me dê mais anos de vida para aproveitar. Chegar aos 100 anos já estaria bom demais", brinca.

Agora, ele pretende disseminar a palavra de fé pela internet e já criou um canal no YouTube onde quer compartilhar as reflexões religiosas que foi aprendendo no caminho. "Descansar o povo de Deus não descansa", diz.

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