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6 meses

'Lutadora e corajosa': Quem era a motorista de app achada em porta-malas

Lorena Pelanda

Colaboração para o UOL, em Curitiba

18/02/2022 08h19Atualizada em 18/02/2022 13h53

Juntar dinheiro para conquistar a cidadania italiana e morar em Roma. Esse era o sonho da curitibana Michelle Caroline Chinol, 39, encontrada morta dentro do porta-malas do carro em que trabalhava como motorista de aplicativo em Curitiba, na quarta-feira (16).

Michelle era motorista de aplicativo havia pelo menos um ano. A atividade foi escolhida para arrecadar dinheiro mais rápido para conseguir voltar para a Europa. Além disso, lutava capoeira e MMA e chegou a ser dançarina e aspirante a modelo.

"Ela morou na Itália em 2006, quando nos conhecemos, mas teve que voltar ao Brasil por falta de documentos para conseguir a autorização para permanecer no país. A última vez que esteve em Roma foi em 2019, mas o sonho dela sempre foi morar lá e por isso começou a trabalhar como motorista", diz uma amiga, que prefere não ter o nome divulgado.

A função era puxada e incluía, além do transporte de passageiros em Curitiba, viagens até o litoral do Paraná.

Ao UOL, a amiga relatou que ela nunca demonstrou medo de transportar passageiros e que, segundo o que ela comentava, essa era a única forma para juntar dinheiro e atingir o principal objetivo.

Ela lutava muito bem e era muito corajosa. Ela tinha um grande amor na Itália, um brasileiro, e por isso queria conseguir a cidadania e morar definitivamente no país.

Além de motorista de aplicativo, Michelle estudou mecatrônica, mas se destacava como lutadora de MMA e capoeirista.

Como atleta, era conhecida pelo apelido de "Gasparzynha" e treinava havia mais de 20 anos em academias renomadas em Curitiba, como a Chute Boxe, fundada por Rudimar Fedrigo e que formou vários campeões, como Anderson Silva.

michelle - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Michelle Caroline Chinol, 39, lutava MMA e ganhou medalhas também no jiu-jítsu
Imagem: Reprodução/Instagram

"Ela era baixinha e bem branca. O mestre de capoeira brincava que ela era tão branca que parecia um fantasma. Foi aí que surgiu o apelido. Ela jogava muito [capoeira] e sempre que fazíamos aulas juntas, ela me ajudava nos exercícios e sempre foi muito querida. Além de linda por fora, era uma pessoa incrível e inteligente", lamenta Caroline Moreira, aluna da mesma escola de capoeira que Michelle frequentava.

"Estou muito chocado. Era uma excelente aluna, uma pessoa que estava cheia de planos, queria viajar para fora e morreu dessa forma covarde e trágica. Espero que as pessoas possam a ajudar com informações a prender o assassino", diz Rudimar Fedrigo ao UOL.

Michelle morava com os pais e sempre gostava de estar com a família.

"Nunca esperamos que um crime tão absurdo possa acontecer justamente com alguém da nossa família. Não consigo acreditar que há duas semanas estávamos comendo bolo e dando risada. Perdemos uma menina de coração imenso que transbordava amor", escreveu Camila Wagner, prima da vítima, no Instagram.

Muito vaidosa, a atleta gostava de tatuagens e dançar. Na Itália, Michelle chegou a fazer algumas participações em shows, dançando axé, country e samba.

Ando precisando de menos dúvidas e mais certezas em minha vida.

A frase foi a última postagem de Michelle no Instagram, no dia 7 de fevereiro.

Investigação

O corpo foi encontrado no porta-malas do carro em que trabalhava e em estado avançado de decomposição. Somente exames feitos no Instituto Médico Legal devem apontar a causa da morte. Na análise inicial, segundo a Polícia Civil do Paraná, só foi possível ver um corte em um dos pulsos.

As investigações já começaram e, até agora, nenhum suspeito foi identificado.

Câmeras de segurança da região em que o carro foi abandonado, no bairro Ganchinho, devem ajudar a polícia a elucidar o crime. Nas imagens, feitas durante à noite, um homem aparece saindo e trancando o veículo, com, possivelmente, o corpo já dentro do porta-malas.

O carro foi guinchado dois dias depois pela Prefeitura de Curitiba e o corpo encontrado no porta-malas momentos após ser recolhido para um pátio, no bairro Portão. O forte odor chamou a atenção dos funcionários, que abriram o local e acionaram a polícia.

O corpo de Michelle será enterrado nesta sexta-feira, no Cemitério Jardim da Colina, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba.

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