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Cotidiano

Delegada deu carro blindado ao filho na véspera de operação do MP

Ruben Berta e Igor Mello

Do UOL, no Rio

10/05/2022 13h19Atualizada em 10/05/2022 17h00

Um dia antes de ser um dos alvos de megaoperação do MP-RJ (Ministério Público do Rio) contra o jogo do bicho, realizada nesta terça (10), a delegada licenciada da Polícia Civil Adriana Belém presenteou o filho com um carro blindado.

Vídeos divulgados pela delegada em suas redes sociais mostram a entrega do veículo, um Jeep Compass, que, sem a blindagem, custa ao menos R$ 130 mil. Até o momento, os promotores localizaram R$ 1,8 milhão em espécie na casa dela, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

"Agora não vou mais andar de bicicleta, estou habilitado. E é tudo graças à minha mamãe linda do meu coração", disse o filho da delegada em um dos vídeos.

Em consulta pública no site do Detran do Rio (Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro), é possível ver somente o primeiro nome do proprietário do carro: Richard. O veículo foi fabricado em 2021, mas é modelo 2022.

Belém havia publicado uma foto com o presente em fevereiro, quando o filho completou 18 anos. A blindagem, porém, só foi anunciada ontem.

Adriana Belém está licenciada da Polícia Civil desde abril do ano passado, quando foi nomeada como assessora na Prefeitura do Rio.

Inicialmente, ela teve cargo na Secretaria Especial de Ação Comunitária, mas foi transferida para a Secretaria de Esportes. Seu último salário, em abril, foi de R$ 8.345 líquidos. Em nota, a prefeitura afirmou que Belém será exonerada.

Em suas redes sociais, a delegada postou diversas fotos com o ex-secretário de Esportes do Rio Guilherme Schleder, que deixou o cargo para concorrer a deputado nas eleições deste ano. A mais recente foi publicada há uma semana.

Salário de R$ 27 mil na Polícia Civil

Apesar de estar licenciada, a delegada continua ganhando salário também do estado do Rio. Segundo o portal da transparência do governo, foram R$ 27.248 líquidos no mês de abril.

Em 2020, a delegada tentou uma vaga na Câmara de Vereadores do Rio pelo PSC, mas conseguiu apenas uma vaga de suplente, com 3.523 votos.

Apesar de o MP-RJ ter encontrado nesta terça cerca de R$ 1,8 milhão em espécie no apartamento da delegada, nas eleições de 2020, ela declarou ter somente R$ 180 mil em espécie.

Ao todo, o patrimônio declarado à época foi de R$ 1,887 milhão, incluindo dois apartamentos, um carro e recursos investidos em banco.

A delegada comandou a 16ª DP (Barra da Tijuca) por vários anos e foi responsável por iniciar as investigações sobre o desabamento de dois prédios construídos pela milícia na comunidade da Muzema, no Itanhangá, também na zona oeste da capital.

Ela entregou o cargo em janeiro de 2020, em meio ao caso, depois de seu chefe de investigação —o inspetor Luiz Camillo Alves— tornar-se um dos alvos da Operação Intocáveis II, que prendeu diversos integrantes da milícia que comanda as favelas do Rio das Pedras e da Muzema.

O UOL procurou a delegada para questioná-la sobre a operação desta terça, mas Adriana ainda não respondeu. Assim que houver um posicionamento, ele será incluído nesta reportagem. Ela deve ser ouvida hoje pela Polícia Civil.

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