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Marido é suspeito de matar professora, enterrá-la e depois comunicar sumiço

O engenheiro Jessé de Souza Cunha foi preso suspeito de assassinar e enterrar o corpo de Ana Julia Alvarenga - Reprodução/Facebook
O engenheiro Jessé de Souza Cunha foi preso suspeito de assassinar e enterrar o corpo de Ana Julia Alvarenga Imagem: Reprodução/Facebook

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

19/05/2022 10h36Atualizada em 19/05/2022 15h11

A Polícia Civil do Rio prendeu o engenheiro Jessé de Souza Cunha, por suspeita de assassinar e enterrar o corpo da mulher no quintal do imóvel do casal em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Segundo informações do delegado Willians Batista, o homem chegou a registrar o desaparecimento de Ana Julia Alvarenga, 22, na delegacia, e a acompanhar a família nas buscas pela professora que havia desaparecido na tarde do último dia 16. Ele também fez postagens na internet pedindo informações sobre o falso sumiço da jovem.

"Ele prestou dois depoimentos antes de ser preso. Um no dia, pois ele foi um dos comunicantes sobre o desaparecimento, o que começou a despertar estranheza na gente, e outro ontem, já depois que a gente tinha o rastreamento do telefone dela e a informação do cartão de passagem indicando que ela foi para casa. Ele sempre negou participação no desaparecimento, mas depois que confirmamos que o corpo foi encontrado na casa deles, ele não falou mais nada", afirmou o delegado, ao UOL.

ana - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
O engenheiro Jessé de Souza Cunha foi preso suspeito de assassinar e enterrar o corpo de Ana Julia Alvarenga
Imagem: Reprodução/Facebook

A delegacia da Posse, responsável pelas investigações, teve acesso a imagens de câmeras de segurança que comprovam a chegada da vítima em casa, no bairro Corumbá. Segundo a polícia, a professora não saiu mais do imóvel.

A polícia apura ainda se Jessé foi o responsável por enviar mensagens à família da professora se passando pela vítima.

"Alguém usou o celular dela, enviou mensagens na manhã do dia 17, e o que temos até agora é que ela já estaria morta neste momento. Eram mensagens como se ela tivesse traído ele e falando que precisava de um tempo, talvez para justificar o desaparecimento. Só que isso chamou atenção da família, pois não seria da natureza dela, nem a traição, nem o desaparecimento sem entrar em contato com ninguém".

As mensagens ainda estão sendo apuradas pela Polícia Civil.

O engenheiro foi preso em flagrante pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver. Ele passará por audiência de custódia hoje . Até o momento, o suspeito não tem advogado constituído e, portanto, não foi possível ouvir sua versão sobre o caso. O corpo da professora foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal).

"Ninguém imaginava"

Uma amiga da vítima, que pediu para não ter o nome publicado, afirmou ao UOL que Ana e Jessé estavam juntos desde 2018 e que a professora nunca havia comentado sobre agressões ou ameaças por parte do marido.

"Ninguém esperava. Era uma menina inteligente, era muito responsável e muito dedicada à família".

A tia da vítima, Juliana Mathias Thurler, contou que a família nunca pensou que teria um caso de feminicídio na família.

"Era muito difícil eles brigarem, ela nunca relatou nada, minha sobrinha não aceitava homem batendo em mulher, nunca na vida ia imaginar que ia passar por isso na minha família. É devastador. Não sei como será a vida daqui para frente. A gente tá em choque, tentando assimilar tudo".

Juliana disse ainda que o marido da sobrinha chegou a pedir para passar uma noite na casa da sogra e saiu de madrugada no dia seguinte alegando que iria procurá-la.

"Saiu falando que tinha ido para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), falou que tinha vindo no IML (Instituto Médico Legal) para saber se tinha chegado algum corpo, estava todo momento com a gente".

Apesar de acompanhar os parentes nas buscas, Juliana disse que desconfiou dele ao saber que no dia seguinte ao sumiço da sobrinha, ele havia saído para trabalhar.

"Sua esposa some e na terça-feira você vai trabalhar normalmente? Frio e calculista", afirmou a tia da vítima.

Ana Julia estava concluindo a Faculdade de Pedagogia e trabalhava em uma escola na região.

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