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Univaja classifica assassinato de Dom e Bruno como 'crime político'

O indigenista Bruno Araújo Pereira esteve em expedição pela Amazônia antes de se encontrar com o jornalista inglês Dom Phillips - Arquivo pessoal
O indigenista Bruno Araújo Pereira esteve em expedição pela Amazônia antes de se encontrar com o jornalista inglês Dom Phillips Imagem: Arquivo pessoal

Colaboração para o UOL, em Brasília

15/06/2022 22h26

A Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) afirmou que vê o assassinato do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips como um crime político pediu a continuidade das investigações. A dupla foi assassinada após se deslocarem de barco pelo rio Itaquaí após visita à Terra Indígena do Vale do Javari (Amazonas), território que é alvo de invasão por caçadores, pescadores e madeireiros ilegais. O desaparecimento foi notificado em 5 de junho.

"Ambos eram defensores dos direitos humanos e morreram desempenhando atividades em benefício de nós, povos indígenas do Vale do Javari, pelo nosso direito ao bem-viver, pelo nosso direito ao território e aos recursos naturais que são nosso alimento e garantia de vida, não apenas da nossa vida, mas também da vida dos nossos parentes isolados", disse em carta aberta.

A entidade disse só irá se manifestar abordar mais detalhes sobre o crime nos autos do processo. "Enviamos uma série de ofícios com informações qualificadas ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e à Fundação Nacional do Índio, em que indicamos a composição de uma quadrilha de pescadores e caçadores profissionais, vinculados a narcotraficantes, que ingressam ilegalmente em nosso território para extrair nossos recursos e vende-los nos municípios vizinhos", afirmou a Univaja.

A manifestação deu-se depois de a PF (Polícia Federal) afirmar em entrevista que o pescador Amarildo da Costa Oliveira confessou que matou e enterrou os corpos. Mais cedo, a corporação havia informado que ele disse aos policiais que recebeu os corpos queimados, mas de forma que seria possível identificá-los.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, disse hoje que a corporação informou ter encontrado restos humanos no local em que o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips teriam sido enterrados, depois de serem sequestrados e mortos no início deste mês. O material será submetido a perícia.

A Funai (Fundação Nacional do Índio) informou, em reunião com órgãos do governo federal, que prestou apoio para tentar localizar os desaparecidos desde que tomaram conhecimento da notícia na segunda-feira (6), e que, na terça-feira (7), aumentou o efetivo envolvido nas buscas, com apoio de uma equipe composta por indígenas recém-contratados. Além da Funai, estiveram envolvidos nas buscas a PF, o Ministério Público Federal, as Forças Armadas e o governo do Amazonas.

A Justiça do Amazonas determinou, no início da noite de hoje, prisão temporária, por 30 dias, de Oseney da Costa de Oliveira, outro investigado pelo desaparecimento de Dom e Bruno. Ele foi preso ontem e passou hoje por audiência de custódia.

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