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Sem dinheiro do YouTube, Gabriel Monteiro pede até R$ 1.000 em 'novo canal'

Vereador Gabriel Monteiro (PL) em seu canal na internet após desmonetização no YouTube - Reprodução
Vereador Gabriel Monteiro (PL) em seu canal na internet após desmonetização no YouTube Imagem: Reprodução

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

24/06/2022 18h43

O vereador do Rio Gabriel Monteiro (PL) lançou mão de uma plataforma autônoma para continuar lucrando com seus vídeos após as investigações sobre o conteúdo de seu canal no YouTube.

O YouTube desmonetizou o canal de Monteiro em abril —ou seja, ele não recebe mais valores por audiência e anúncios dos seus vídeos, que geravam média de R$ 300 mil mensais, de acordo com ex-assessores. Monteiro pede agora que os fãs assinem o que chamou de "Gabriel Monteiro TV".

As assinaturas mensais, que custam R$ 30, R$ 300 ou R$ 1.000, envolvem recompensas de acordo com o plano.

Em nota, o Youtube explicou que a desmonetização de um canal acontece quando ele descumpre as políticas de monetização e o código de responsabilidade da plataforma. Sem dar detalhes, o site afirma apenas que "não é permitido comportamento ofensivo que coloque em risco a segurança e o bem-estar da comunidade do YouTube, formada por espectadores, criadores e anunciantes".

Câmara proíbe monetização nas redes

Após o imbróglio com Monteiro, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou por unanimidade, em 4 de maio, uma emenda que proíbe vereadores de ganhar dinheiro com conteúdos na internet produzidos a partir de sua função pública.

A exemplo do que fez Monteiro, não será mais possível usar do cargo para fazer fiscalizações em equipamentos públicos e, depois, monetizar resultado de filmagens.

"Os autores do projeto argumentam que transformar as funções parlamentares, obrigações e prerrogativas do vereador em ganhos financeiros foge à ética e à moral do fazer público", diz a comunicação da Casa.

O vereador Chico Alencar (PSOL) é um dos autores da emenda e também relator da investigação sobre Gabriel Monteiro no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Ao finalizar a primeira etapa do processo, Alencar afirmou que Monteiro se recusou ontem a responder sobre a "Gabriel Monteiro TV".

O relator destacou que a monetização de vídeos não é investigada pelo conselho, porém ressaltou que pode embasar seu relatório final com esses elementos recentes.

Campanha contra anunciantes

A desmonetização de Monteiro aconteceu na esteira de uma campanha capitaneada pelo grupo Sleeping Giants Brasil, articulador de denúncias contra más práticas em plataformas de conteúdo e redes sociais.

De acordo com o grupo, em 15 dias de campanha, foram feitas denúncias a 45 empresas e 32 delas responderam aos questionamentos —parte delas, retirou os anúncios do canal de Monteiro.

No mesmo mês, o Youtube decide desmonetizar completamente o canal. Agora, o vereador usa a plataforma para publicar vídeos, mas em suas redes sociais divulga somente o site da Gabriel Monteiro TV.

O site reproduz os vídeos mais recentes do seu canal no YouTube e deixa botões que direciona o internauta a uma página de assinatura.

"Para manutenção do meu trabalho, da minha vida. Minha família, que não consegue ter paz e depende diretamente de mim, eu peço que vocês me ajudem", diz o vereador em inserção no vídeo em destaque no site. E completa: "Vocês sabem que parentes meus perderam o emprego por causa do meu combate, agora eu estou desmonetizado e dependo diretamente de vocês", finaliza.

Além das assinaturas mensais, Monteiro pede que os fãs façam doações via Pix para o número de celular que ele utiliza para receber denúncias.

Gabriel Monteiro se contradiz sobre idade de adolescente, diz relator

Além da negativa em responder sobre sua nova forma de renda, o depoimento de Monteiro foi marcado por contradições, segundo o vereador Chico Alencar. Entre as "várias contradições", segundo o relator da investigação, está o fato de o vereador saber ou não que a menina com quem gravou cenas íntimas tem apenas 15 anos —um dos pontos da investigação no Conselho de Ética.

Em depoimento ontem aos colegas de Casa, Monteiro afirmou que não sabia da idade da menina. Momentos depois, o vereador diz ter sido enganado pela adolescente sobre a idade dela.

"Do ponto de vista da menoridade da menina, que ele confirmou que filmou, ele nega ciência da idade dela, mas polícia e Ministério Público vão em direção contrária e dizem que ele sabia, tanto que a denúncia foi recebida", afirmou Alencar.

Em maio, a Justiça do Rio aceitou a denúncia do MP e Monteiro responderá por suspeita de vazamento das imagens íntimas da menina. Aos vereadores, o investigado afirmou que filmava relações íntimas consensuais para se precaver de possíveis denúncias de estupro.

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