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Ex-PM que matou repórter Maria Nilce dos Santos é preso após 33 anos no ES

Jornalista Maria Nilce fazia reportagens sobre tráfico de drogas em Vitória e morreu após levar três tiros ao lado da filha - Redes Sociais/Reprodução
Jornalista Maria Nilce fazia reportagens sobre tráfico de drogas em Vitória e morreu após levar três tiros ao lado da filha Imagem: Redes Sociais/Reprodução

Matheus Brum

Colaboração para o UOL em Vitória

28/06/2022 18h26Atualizada em 28/06/2022 20h38

O ex-policial militar Cezar Narciso de Souza foi preso durante operação da Polícia Federal no bairro São Diogo, na Serra, Região Metropolitana de Vitória. Ele estava foragido desde 2018, após ser condenado a 19 anos pela morte da jornalista Maria Nilce dos Santos Magalhães, em 5 de julho de 1989.

A repórter foi assassinada com três tiros na Praia do Canto, em Vitória, quando voltava para casa da academia junto com a filha. O crime foi motivado pelas reportagens que ela escrevia para o extinto Jornal da Cidade, com denúncias sobre o tráfico de drogas na região, com a participação de agentes de segurança.

Após a prisão de Cezar Narciso, o filho de Maria Nilce, Juca Magalhães se pronunciou sobre a detenção do assassino da mãe.

Foi uma investigação que deixou uma frustração muito grande para a família porque os verdadeiros mandantes, as pessoas que estavam por trás do crime, nunca foram apontados. Mas, com a prisão do Narciso acredito que parte da justiça está sendo feita, evidentemente. Eu assisti à condenação dele, quando houve o julgamento, eu estava lá.
Juca Magalhães

Em comunicado divulgado à imprensa, a Polícia Federal destacou o resultado da operação. "Sua prisão certamente contribuirá para a diminuição da sensação de impunidade no Espírito Santo", destacou a PF.

Uma trama aberta há 33 anos

Maria Nilce dos Santos foi assassinada em 1989. A investigação, à época, foi comandada pela Polícia Civil. No entanto, após alguns meses, foi transferida para a Polícia Federal. A mudança ocorreu pela suspeita da participação de agentes da segurança pública no crime.

Essa participação foi confirmada pela PF. As investigações apontaram que o mandante do crime foi o empresário local José Andreatta. Segundo a PF, ele contratou o então policial civil Romualdo Eustaquio Luz Faria, conhecido como "Japonês" para realizar a execução. Por sua vez, Faria subcontratou dois pistoleiros para o assassinato: José Sasso e o então PM Cezar Narciso de Souza.
Após o crime, a dupla teve a ajuda do piloto de avião Marcos Egydio Costa e do policial civil Charles Roberto Lisboa.

José Sasso, à época, foi preso preventivamente. Na cadeia, ele foi envenenado e morreu. Já Marcos Egydio foi assassinado em Jacaraípe, na Serra. Não foi divulgado se a morte do piloto foi relacionada à morte da jornalista.

Andreatta, Japonês, Lisboa e Narciso foram a júri e condenados, respectivamente, a 24, 15, 17 e 19 anos de prisão. Na época, Cezar Narciso entrou com recursos contra a condenação.

A condenação em definitivo do ex-PM ocorreu em 2018. Desde então, ele era considerado foragido. A suspeita era que ele estivesse escondido na Bahia. Porém, nas últimas semanas, a Polícia recebeu a informação de que Cezar estaria morando na Serra.

Depois de uma investigação, a PF confirmou a informação e montou a força-tarefa, que contou com apoio da Polícia Rodoviária Federal, Guarda Municipal da Serra, Vitória, Vila Velha e Viana.

Segundo a PF, Cezar não resistiu à prisão e foi levado para a sede da corporação, em Vila Velha. Durante a tarde desta terça-feira será encaminhado ao presídio.

O UOL ainda não conseguiu confirmar se o ex-PM já teve defesa constituída para estabelecer contato. O espaço segue aberto para eventuais manifestações e será atualizado assim que houver posicionamento.

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