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Advogada morre após plásticas e família denuncia médico à polícia no DF

Elieni Vieira Prado fez três cirurgias e apresentou complicações - Arquivo Pessoal
Elieni Vieira Prado fez três cirurgias e apresentou complicações Imagem: Arquivo Pessoal

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL

30/06/2022 04h00

A Polícia Civil do Distrito Federal abriu inquérito para apurar a conduta do cirurgião plástico Armando dos Santos Cunha após a morte da advogada Elieni Prado Vieira, 56. A família dela denunciou o profissional por suposto erro médico e negligência no atendimento da paciente no pós-operatório.

Elieni foi submetida a três cirurgias plásticas: lipoaspiração, abdominoplastia e a uma correção de hérnia umbilical. Os procedimentos na região do abdome foram realizados em 19 de maio, no Hospital Daher Lago Sul, em Brasília. No dia seguinte, depois de receber alta, a família diz que a advogada começou a passar mal e sofreu com sangramentos por 26 dias até que morreu, no dia 14 de junho.

"No primeiro dia em casa, ela acordou vomitando sangue de coloração escura, sentiu falta de ar, apresentou palidez e inchaço. Falamos com a clínica do médico por telefone nos primeiros dias, só que, no terceiro, a levamos até lá. Nisso, ele examinou a olho nu e disse que estava tudo certo. Mas, ainda assim, passou sete injeções anticoagulantes", relata o filho da vítima, Filipe Vieira, 27.

Os parentes contam que Elieni retornou para casa, mas continuou perdendo muito sangue. "O recipiente do dreno dela era de 500 ml e enchia muito rápido, em apenas três horas", recorda Felipe.

A preocupação aumentou quando o estado de saúde da advogada piorou de maneira significativa. No dia 30 de maio, um exame apontou que Elieni estava com baixo índice de sangue no corpo e quadro de infecção.

Segundo a família, após o resultado do exame, a advogada foi admitida na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Anchieta. Ela chegou a usar 56 bolsas sangue de 300 ml, cada, ao longo da internação.

Era como se fosse um balde furado. É triste até de lembrar a cena da UTI da minha mãe com sangue saindo pelo nariz e pela boca sob aparelho de ventilação mecânica. Foram 15 dias em uma luta para sobreviver.

Filipe Vieira, filho de Elieni

O atestado de óbito da advogada apontou isquemia mesentérica, que é a interrupção do fluxo sanguíneo no intestino, como causa da morte.

Para a família, se o médico que fez a cirurgia plástica não tivesse agido com negligência no pós-operatório, o fim poderia ser diferente.

"Estamos querendo Justiça porque acreditamos em erro médico. Mas o fato é que não houve um acompanhamento pós-operatório. Ele soube apenas ganhar o dinheiro com a cirurgia. O resto foi por conta do paciente. Em qualquer momento pediu exames. Nós, leigos, que fomos diretamente atrás disso. Sempre falava que estava tudo certo, mas se tivesse pedido exame quando o procuramos, ela poderia estar viva", desabafa Filipe.

Elieni ainda deixou outros dois filhos, de 19 e 22 anos. Ela era casada há 28 anos.

Procurada pelo UOL, a Polícia Civil informou que o caso é investigado pela 12ª DP (Delegacia de Polícia) de Brasília desde 23 de junho. A corporação informou que os responsáveis pelo inquérito se pronunciarão somente após a apuração do fato.

Hospital diz que advogada recebeu alta sem anormalidade

O UOL procurou o médico Armando dos Santos Cunha através de email, telefone pessoal e por mensagens nas redes sociais dele, mas não houve respostas aos questionamentos. A clínica onde ele atende, em Brasília, informou que retornaria às ligações, mas não houve resposta mesmo após 11 tentativas de contato.

Já o Hospital Daher, onde a cirurgia plástica ocorreu, informou que Elieni teve "alta em 20 de maio, sem intercorrências".

"[Ela] saiu andando do hospital. O Hospital Daher ficou sabendo da situação de saúde pela imprensa. O médico citado não possui consultório no hospital", completou em nota.

A unidade ainda apresentou um relatório médico assinado pelo diretor técnico do hospital, José Wilson de Bomfim Lopes, dizendo que não foram constatadas anormalidades nos exames pré-operatórios, durante a cirurgia e ao longo da internação de um dia no pós-cirúrgico.

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