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CAC e tatuagem de Lula: o que se sabe do homem que matou cartomante e filho

Michelli Nicolich e Ezequiel Lemos Ramos, que é investigado pela morte da cartomante e ex-mulher; ele tem tatuagem do Lula no braço - Reprodução
Michelli Nicolich e Ezequiel Lemos Ramos, que é investigado pela morte da cartomante e ex-mulher; ele tem tatuagem do Lula no braço Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

15/09/2022 12h37Atualizada em 15/09/2022 19h07

Ezequiel Lemos Ramos, 38, foi preso no início desta semana após matar a ex-mulher e o filho de 2 anos do casal no Jardim Rodolfo Pirani, na zona leste de São Paulo. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o homem tem o certificado de registro de CAC (Caçador, Atirador desportivo e Colecionador de armas) e imagens dele também mostram uma tatuagem do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) no braço.

Ramos atirou contra o carro da cartomante Michelli Nicolich, 37. Na ocasião, a ex-mulher buscava os filhos pequenos na escola. Ela perdeu o controle do veículo, acertando um poste. Neste momento, Ramos se aproximou e atirou contra a ex-mulher.

Um policial militar de folga estava no local no momento do crime e conseguiu deter Ramos, que alegou ter perdido a cabeça e resolveu então deitar no chão. Um carregador com 31 munições intactas foi encontrado no veículo dele.

A mulher e o filho de 2 anos, Luís Inácio Nicolich Lemos, foram socorridos, mas não resistiram aos ferimentos e morreram no hospital. O outro filho do casal, que também estava no veículo, não sofreu ferimentos.

O investigado alegou que a motivação do crime teria sido dinheiro. Ele disse ter sido vítima de um suposto golpe da ex-mulher, que gerou um prejuízo de R$ 70 mil. Ele teria ido até o local para "acertar as contas", de acordo com a Folha.

A família de Michelle nega. Segundo o irmão dela, o vendedor autônomo Jacques Nicolich, 38, ela tinha uma conta conjunta no valor de R$ 50 mil e utilizou o valor para sobreviver com os filhos, sem cobrar pensão do ex-marido.

"Ele contava que esse dinheiro era dele, mas era para os filhos dele. Para comerem, comprar roupa, estudar, fazer essas coisinhas. Não era nem para ela esse dinheiro", contou ao Estadão.

O caso foi registrado no 49º DP (São Mateus) e a polícia busca saber se houve a participação de uma segunda pessoa no crime.

Michelli Nicolich morava escondida do ex-marido. Dias antes do crime, ela teria tido um pesadelo de que seria assassinada por ele.

"Ela estava morando escondida dele. Não revelava (endereço), morava em um lugar bem escondidinho e que só a família sabia onde era", disse Jacques. "Tanto que ele pegou [encontrou] ela na escola, deve ter descoberto pelo nome, pelo registro das crianças."

De acordo com o irmão da vítima, Michelli e Ezequiel nunca se viram após a separação.

Em maio, Ramos foi preso em flagrante por ameaça de morte contra a mulher. A prisão ocorreu na cidade de Ponta Porã (MS), onde ele morava na época.

Ramos era estudante de Medicina em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Michelli descobriu que ele acessava um site de relacionamento e fez um depósito de R$ 1 milhão no nome de uma mulher. Ao confrontá-lo, Ramos perdeu o controle e partiu para cima de Michelli. No boletim de ocorrência, há a informação de que ele teria tentado expulsá-la "engatilhando a arma em sua cabeça".

A Justiça lhe concedeu liberdade sob uso de tornozeleira eletrônica, mas o proibiu de se aproximar de seus familiares. Para que a autorização da liberdade com tornozeleira eletrônica fosse concedida, ele precisou concordar em não falar com sua ex-mulher.

Políticos comentaram o caso nas redes sociais. A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que é preciso proteger as mulheres e atribuiu a violência à política de armas do governo Jair Bolsonaro (PL).

"O incentivo à violência e a liberação, pelo governo federal, da compra, posse e porte de armas estão na raiz de crimes e tragédias como a que ocorreu ontem no Parque São Rafael, em São Paulo. O PT está solidário com os familiares das vítimas", disse ela em nota.

"Condenamos toda forma de violência, qualquer que seja a orientação política de quem a comete. Defendemos a apuração rigorosa do crime, para que a Justiça seja feita e tragédias assim não se repitam."

Já o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que a preocupação "nunca foi com as vítimas" e que a imprensa precisou descartar a narrativa de que ele teria relação com o caso "por conta de uma tatuagem".

"O fato é que, se não existisse essa tatuagem, jornais ainda estariam explorando mais uma narrativa mentirosa para tentar convencer inocentes de que as milhões de pessoas que me apoiam, homens, mulheres, jovens e idosos, compactuam de alguma forma com esse tipo de barbaridade", escreveu.

Para o presidente, pessoas que cometem crimes como este devem ser tratadas como "criminosas e ponto final": "não interessa a opinião política".

Filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou aqueles que "querem jogar na conta do Bolsonaro". Para o parlamentar, as pessoas "perderam o interesse" no caso após verem a foto do acusado, que aparece mostrando a tatuagem com o rosto de Lula.