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'Jogamos fora 3 sacos de comida', diz moradora de SP que ficou 42 h sem luz

Sem energia há mais de 40 horas, moradores de alguns bairros da cidade de São Paulo relatam que descartaram alimentos e remédios estragados e carregaram celulares em carros, shoppings e estações de metrô. A Enel informou que a previsão para normalização dos serviços é até terça-feira (7).

O que aconteceu

A moradora do bairro de Várzea de Baixo, em Santo Amaro, Ana Gissoni, 36, afirma que está há mais de 40 horas sem energia. "Estamos sem luz desde as 4h de sexta-feira (3). São três torres [no condomínio]. Todos nós abrimos chamado. As equipes da Enel vieram até aqui, consertaram duas torres, mas não consertaram a nossa, e foram embora."

Ela afirma que continua sem energia neste domingo (5) mesmo após abertura de chamados no aplicativo e contato telefônico com a Enel. "Eles colocam o chamado como resolvido. As pessoas estão 'caçando' funcionários da Enel nas ruas para ver se conseguem uma solução. Foi tratado com desdém."

Ana, que mora com o marido e o filho de 6 anos, diz que teve de descartar três sacos com alimentos estragados. "Achávamos que até 24h no freezer as comidas iriam resistir. Mas, quando fomos ver, tinha estragado tudo. Eu tinha remédio que precisa ficar na geladeira. O remédio estava frio, mas a geladeira não mais. Por causa disso, estamos gastando com alimentação."

Ela diz ainda que precisou carregar o celular no carro. "Fomos almoçar num shopping e saímos procurando restaurantes que tinham lugares para carregar. Pedimos para sentar em mesas próximas de tomadas"

'Perdemos R$ 500 com alimentos estragados'

A fisioterapeuta Paula Gissoni, 39, moradora do bairro Jardim Marajoara, na zona sul de São Paulo, também disse que está sem energia desde sexta-feira. "Ficamos da sexta-feira até ontem [sábado] no meio do dia com metade da energia. Só as tomadas de 220 volts funcionavam. Ontem, o gerador da rua explodiu de vez."

Paula, que vive com os pais e um animal de estimação, diz ter tido um prejuízo de cerca de R$ 500 com alimentos estragados. "Hoje de manhã, joguei muita comida fora. Foram cinco sacos jogados fora. Tivemos que jogar fora o remédio da cachorrinha, que também ficava na geladeira."

A fisioterapeuta conta que conseguiu carregar o celular na clínica em que trabalha, também na zona sul de São Paulo. "Estou totalmente sem luz desde as 12h de ontem [sábado]", diz.

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Paula afirma que tentou abrir um chamado pelo aplicado da Enel, mas não conseguiu. "O aplicativo estava com problema. Tentamos desde a noite de sexta, mas não adiantou nada, estava dando erro."

Serviços afetados e mortes

Após 40 horas do apagão que atingiu o estado de São Paulo na tarde da última sexta-feira (3), ao menos 1 milhão de pessoas seguem sem energia.

A Enel diz ter restabelecido 50% da distribuição de energia em São Paulo. Segundo a empresa, 2,1 milhões de pessoas foram afetadas pela falta de luz causada pelo temporal que atingiu o estado. Desse total, 1 milhão teve a distribuição normalizada, afirmou a Enel em boletim divulgado às 8h de hoje.

A energia deve voltar até terça-feira (7). Essa é a previsão divulgada pela empresa para a normalização total do serviço. "Devido à complexidade do reparo e a necessidade de reconstrução de trechos da rede, com substituição de cabos, postes e transformadores, alguns casos podem levar mais tempo", diz a Enel.

O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil confirmaram a sétima morte provocada durante a tempestade da última sexta-feira (3). O caso ocorreu em Ilhabela. Uma embarcação naufragou e um dos tripulantes não resistiu. Outros dois foram socorridos e encaminhados ao serviço de saúde.

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As outras vítimas são de Limeira, que morreu atingida por um muro, outra em Osasco, após queda de árvore sobre um carro, outra em Santo André, atingida por destroços que caíram de um prédio; e outra em Suzano. Duas vítimas morreram na capital, todas após quedas de árvores.

A Defesa Civil informou que atendeu cerca de cem desabamentos em todo o estado, em ocorrências com danos em muros, casas e destelhamentos de imóveis. As Defesas Civis estadual e municipais e o Corpo de Bombeiros registraram mais de 2 mil chamados em ocorrências em 40 cidades.

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