Conteúdo publicado há 2 meses

AL: Defesa Civil vigia mina e diz que colapso pode ser 'a qualquer momento'

A Defesa Civil de Alagoas e a Defesa Civil de Maceió continuam monitorando a mina 18 da Braskem, tentam tranquilizar a população, mas trabalham com a possibilidade de colapso "a qualquer momento".

O que aconteceu

Em reunião técnica do Sistema Nacional de Proteção da Defesa Civil com o ministro da Integração Nacional, Waldez Góes, ontem, as autoridades decidiram não estipular novo horário para o colapso da mina. A informação é do coordenador da Defesa Civil de Alagoas, coronel Moisés Melo.

Nos últimos dois dias, as autoridades haviam divulgado dois possíveis horários para o desastre: 16h de quinta (30) ou 6h de sexta (1º). Melo citou a apreensão dos moradores da capital alagoana, que disseram que não têm dormido.

Durante a madrugada, foi registrado um novo tremor na região — de magnitude 0,89 na escala Richter e a 300 metros de profundidade. Ontem, já havia sido registrado um evento sísmico de magnitude de 0,39, a 330 metros de profundidade.

A movimentação de terra foi de 13 centímetros nas últimas 24 horas, segundo boletim divulgado às 9h pela Defesa Civil municipal. A velocidade atual de deslocamento é de 0,7 centímetros por hora — ontem, chegou a 2,6 cm/hora.

O bairro Mutange, onde fica a mina, já foi evacuado, e a Defesa Civil orienta os moradores a evitarem a região.

O Estado não trabalha mais com projeção de horário e sim com projeção de a qualquer momento. Não existe isso de horário. Eles concordaram para tranquilizar a população.
Coronel Moisés Melo, coordenador da Defesa Civil Estadual de Alagoas

Mais de mil abalos sísmicos em 5 dias

O bairro de Mutange teve mais de mil abalos sísmicos entre 19 e 24 de novembro, disse o diretor da Defesa Civil Nacional, Paulo Falcão.

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Além da quantidade elevada de abalos, observou-se que a profundidade dos sismos se tornava mais rasa, indicando uma possível movimentação da cavidade em direção à superfície, acrescentou Falcão.

Os abalos também foram sentidos nos bairros Pinheiro e Bebedouro. Os locais estão isolados e os moradores foram realocados.

Entenda a situação em Maceió

O deslocamento do subsolo ocorre por causa da extração de sal-gema, um cloreto de sódio que é utilizado para produzir soda cáustica e PVC, pela Braskem, que atuava na região desde 1976. A companhia encerrou a extração do minério na região em 2019.

Pelo menos 200 mil pessoas foram afetadas pelo desastre até hoje. Entenda como a extração causou o problema.

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Nesta semana, a Prefeitura de Maceió decretou emergência e a Justiça determinou que a Braskem realocasse famílias do bairro Bom Parto que estavam em áreas consideradas de risco. Equipes do governo federal foram para Alagoas para acompanhar a situação.

A Braskem informou, em nota, que monitora a situação com equipamentos de alta tecnologia e trabalha com dois cenários possíveis para resolver o problema. A empresa prevê uma "acomodação gradual até a estabilização" ou uma "possível acomodação abrupta" — ou seja, um colapso.

Defesa Civil de Maceió divulgou atualização do mapa de risco do afundamento dos bairros
Defesa Civil de Maceió divulgou atualização do mapa de risco do afundamento dos bairros Imagem: Divulgação/Defesa Civil de Maceio

*Com Estadão Conteúdo

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