Braskem não descarta colapso de mina em Maceió: 'Acomodação abrupta'

A Braskem não descarta a possibilidade de um colapso na mina 18, em Maceió. A empresa e as autoridades públicas acompanham, em tempo real, a situação na região do bairro Mutange.

O que aconteceu

A Braskem trabalha com dois cenários possíveis para resolver o problema, segundo nota divulgada hoje. A Defesa Civil de Maceió informou que a área ao redor da mina está afundando em uma velocidade de 1 cm por hora.

A empresa prevê uma "acomodação gradual até a estabilização" ou uma "possível acomodação abrupta" — ou seja, um colapso. A região está isolada desde terça (28).

A petroquímica informou que utiliza tecnologia de ponta para detectar movimentações no solo. A mina foi explorada para a extração de sal-gema, usado para produção de soda cáustica e PVC, ao longo de 40 anos.

Nesta semana, a Prefeitura de Maceió decretou emergência e a Justiça determinou que a Braskem realocasse famílias do bairro Bom Parto, que estavam em áreas consideradas de risco. Na quinta (30), foi emitido um aviso sobre a possibilidade de colapso às 6h de hoje — mas, até o início da tarde, nada aconteceu.

O "pior cenário" projetado pela Defesa Civil de Alagoas é de uma cratera de 152 metros de raio. A Lagoa Mundaú deve ser atingida, de acordo com o órgão — porém nenhum efeito ecológico imediato será sentido se isso ocorrer.

A Defesa Civil orienta a população a ficar afastada das áreas isoladas e não compartilhar fake news. Em publicação nas redes sociais, o órgão reforçou as recomendações em caso de colapso da mina.

Ministro responsabiliza empresa

O ministro dos Transportes, Renan Filho, culpou a Braskem pelo desastre em Maceió, com o iminente colapso da mina. Ele foi entrevistado no UOL News nesta sexta (1º).

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A Braskem mantém atividades de mineração sob a superfície de Maceió desde a década de 1970. Ao todo, são 35 minas de sal-gema na área urbana da cidade.

A responsabilidade da Braskem é total. No Brasil, a legislação ambiental impõe o crime a quem o pratica. Quem praticou esse desastre ambiental foi a Braskem.
Renan Filho, ministro dos Transportes

Leia a nota da Braskem, na íntegra

A Braskem continua mobilizada e monitorando a situação da mina 18, localizada no bairro do Mutange, tomando todas as medidas cabíveis para minimização do impacto de possíveis ocorrências. Referido monitoramento, com equipamentos de última geração, foi implementando para garantir a detecção de qualquer movimentação no solo da região e viabilizar o acompanhamento pelas autoridades e a adoção de medidas preventivas, como as que estão sendo adotadas no presente momento.

Os dados atuais de monitoramento demonstram que a acomodação do solo segue concentrada na área dessa mina e que essa acomodação poderá se desenvolver de duas maneiras: um cenário é o de acomodação gradual até a estabilização; o segundo é o de uma possível acomodação abrupta.

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Todos os dados colhidos estão sendo compartilhados em tempo real com as autoridades, com quem a Braskem vem trabalhando em estreita colaboração. A área de serviço da Braskem nas proximidades da mina 18 está isolada desde a tarde de terça-feira. Ademais, a região onde está localizada referida mina (área de resguardo) já está totalmente desocupada desde 2020.

Desde a noite da quarta-feira, a empresa também está apoiando a realocação emergencial dos moradores de 23 imóveis que ainda resistiam em permanecer na área de desocupação determinada pela Defesa Civil em 2020. Essa realocação emergencial foi determinada judicialmente na tarde da quarta-feira e está sendo coordenada pela Defesa Civil. Até o momento, 22 desses imóveis já foram desocupados e os trabalhos prosseguem. A realocação preventiva de toda a área de risco foi iniciada em novembro de 2019 e 99,3% dos imóveis já estão desocupados (dados de 31 de outubro de 2023).

SITUAÇÃO DAS CAVIDADES - A extração de sal-gema em Maceió foi totalmente encerrada em maio de 2019, e a Braskem vem adotando as medidas para o fechamento definitivo dos poços de sal, conforme plano apresentado às autoridades e aprovado pela Agência Nacional de Mineração. Esse plano registra 70% de avanço nas ações, e a conclusão dos trabalhos está prevista para meados de 2025.

Das 35 cavidades, 9 receberam a recomendação de preenchimento com areia. Destas, 5 tiveram o preenchimento concluído, em outras 3 os trabalhos estão em andamento e 1 já está pressurizada, indicando não ser mais necessário o preenchimento com areia.

Além dessas, em outras 5 cavidades foi confirmado o status de autopreenchimento. As demais 21 cavidades estão sendo tamponadas e/ou monitoradas, sendo que em 7 delas o trabalho já foi concluído. As atividades para preenchimento da cavidade 18 estavam em andamento e foram suspensas preventivamente devido à movimentação atípica no solo. Todo o trabalho segue prazos pactuados no âmbito do plano de fechamento, que é regularmente reavaliado com a ANM.

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