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Sakamoto: PCC vê que sugar cofre público é melhor que vender pó

O PCC entendeu que a melhor forma de ter dinheiro em São Paulo é fraudar contratos e fazer desvios bilionários, analisou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News da manhã desta terça-feira (16).

O Ministério Público faz nesta terça uma operação contra um grupo suspeito de fraudar contratos públicos em benefício do PCC. Até o fim da manhã, pelo menos 13 pessoas foram presas.

O PCC viu que bom negócio em São Paulo não é vender pó, mas é sugar cofre público. É isso que o pessoal precisa entender. Quando a gente fala de Primeiro Comando da Capital, você pensa: roubo de carga e venda de drogas. É claro que isso dá dinheiro para caramba, mas eles entenderam como funciona a questão do controle territorial de milícias no Rio de Janeiro, que o que dá dinheiro de verdade é o controle do dinheiro no território e você mamar nas tetas do Estado por meio de contratos fraudulentos e desvios bilionários.

Neste caso, o PCC está molhando a mão de agentes públicos, que variam: tem vereadores, técnicos, procuradores e prefeitos, que fazem contratos fraudulentos e concorrência fajuta [...] O fato é que São Paulo está nas mãos do PCC de uma forma muito maior que o tráfico de drogas.

O que aconteceu

Entre os presos estão três vereadores de três municípios. Ricardo Queixão (PSD), de Cubatão, no litoral; Flavio Batista de Souza (Podemos), de Ferraz de Vasconcelos, na região metropolitana; e Luiz Carlos Alves Dias (MDB), de Santa Isabel, também na região metropolitana. O UOL tenta localizar a defesa dos citados.

Operação também prendeu advogado de um dos criminosos mais procurados do país. Áureo Tupinambá de Oliveira Fausto Filho representa André de Oliveira Macedo, o André do Rap, apontado pelas autoridades como envolvido no tráfico internacional de drogas. De acordo com o promotor Yuri Fisberg, do Gaeco de Guarulhos, a prisão ocorreu pela atuação dele como funcionário comissionado da Câmara de Cubatão — e não em decorrência do exercício da advocacia.

As empresas do grupo atuavam para frustrar a competição em processos de contratação de mão de obra terceirizada e atender a interesses do PCC, segundo as investigações. A suspeita é que o esquema era usado em diferentes regiões do estado de São Paulo.

O grupo tem contratos públicos de mais de R$ 200 milhões. Também há indicativos de corrupção de agentes públicos e políticos, de acordo com as investigações. Entre eles, estão secretários e procuradores suspeitos de envolvimento em fraudes documentais e lavagem de dinheiro.

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São 42 mandados de busca e apreensão e 15 de prisão temporária. Duas pessoas estão foragidas. Os mandados foram expedidos na 5ª Vara Criminal de Guarulhos.

Foram apreendidos R$ 3,5 milhões em cheques, R$ 600 mil reais em espécie, e US$ 8.700. Também foram recolhidos quatro armas de fogo, munições, 22 celulares e notebooks.

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