Conteúdo publicado há 1 mês

Mulheres acusadas de agredir casal gay em padaria viram rés em SP

O Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra duas mulheres acusadas de agredir um casal gay em uma padaria na capital paulista.

O que aconteceu

Jaqueline Santos Ludovico e Laura Athanassakis Jordão serão julgadas por injúria e lesão corporal. O Tribunal de Justiça divulgou nesta segunda-feira (21) que a juíza Ana Helena Rodrigues Mellim recebeu a denúncia do Ministério Público.

A juíza entendeu que o inquérito policial forneceu provas suficientes de materialidade e autoria do delito. "Por ora, fundamentam a existência de justa causa para a instauração da ação penal'', explicou. As acusadas podem fornecer defesa preliminar no prazo de 10 dias.

Em caso de condenação, mulheres podem ser presas. As penas máximas previstas em lei podem chegar a 12 anos para Jaqueline e 10 anos para Laura.

O UOL tenta contato com a defesa das rés em busca de um posicionamento. Se houver retorno, o texto será atualizado. O espaço segue aberto para manifestação.

Relembre o caso

Ofensas aconteceram em fevereiro. Em depoimento à polícia, o casal contou que começou a ser atacado pela mulher ao tentar parar o carro no estacionamento da padaria. Segundo o relato, havia três pessoas em pé no local, paradas na vaga. Quando eles se aproximaram para estacionar, duas pessoas saíram, mas uma mulher teria permanecido parada, com os braços cruzados, até ser retirada pelo homem que estava com ela.

Mulher teria ficado contrariada. Ela retornou até onde o carro estava estacionado, empurrou o retrovisor do veículo e começou a gritar com o casal usando termos homofóbicos, como "viados". Ela também teria atirado um cone na direção deles. Uma das vítimas chegou a ser atingida.

Confusão continuou dentro da padaria, onde foi parcialmente gravada pelo casal, que divulgou os vídeos nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver o momento em que uma das vítimas questiona por que a mulher está "alterada". "Você está alterada. Tá maluca, porr*? Por que você está alterada? A gente só queria estacionar o carro", diz.

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Em seguida, a mulher continua os ataques, chamando-os de "viados". "Tirei sangue seu foi pouco. E os valores estão sendo invertidos. Eu sou de família tradicional. Eu sou branca. Olha a hipocrisia. O mimimi. Chama a polícia. Vamos ver quem vai preso aqui", disse, em tom irônico, quando o casal ligou para a polícia.

Nas redes sociais, uma das vítimas, identificada como Rafael Gonzaga, explicou que ele e o namorado foram agredidos física e verbalmente. "Passar pela situação de ser agredido e ofendido aos gritos publicamente em função da orientação sexual é algo repulsivo, primitivo, desumano. Não sabemos quem é essa mulher. Queremos justiça e peço a ajuda de todos".

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