Conteúdo publicado há 1 mês

Polícia investiga médico do Samu por omissão de socorro a idosa que morreu

A Polícia Civil está investigando um médico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Porto Alegre (RS) por omissão de socorro a uma paciente de 74 anos.

O que aconteceu

Nomes dos envolvidos não foram divulgados pela polícia. Os filhos teriam ligado para o telefone 192, quando perceberam que a mãe —cardíaca e diabética— não tinha os medicamentos e estava passando mal. Ela gemia e mal conseguia falar.

Ao atender a ligação, o médico regulador que estava no atendimento pediu para falar com a idosa. A filha se irritou com a situação. Os dois discutiram e o profissional, por sua vez, desligou o telefone. A mulher morreu horas depois. As informações foram divulgadas inicialmente pela RBS TV e confirmadas pela reportagem do UOL, que obteve o áudio da conversa.

  • Filho: Eu estou com a minha mãe de 74 anos. Ela está há dois dias sem tomar as medicações que o médico prescreveu. E agora ela está há roxa e confusa e em cima da cama.
  • Médico: Por que ela não tomou os remédios?
  • Filho: Ela é resistente ao tratamento, doutor.
  • Médico: Deixa eu falar com ela?
  • Filho: Mas ela não tem condições de falar... está aqui em cima da cama gemendo, se contracenando.
  • Médico: Deixa eu tentar falar com ela.
  • Filha pega o telefone para conversar com o médico. Doutor, é o seguinte: eu sou filha dela, sou enfermeira. O senhor quer conversar com a paciente?! A paciente não consegue falar. Ela não tomou a medicação e está com a glicose baixa. O senhor quer que eu resuma mais para o senhor? Ela está quase em óbito...
  • Médico: Quero [que a senhora resuma]... Pare de gritar.

O telefone é desligado na sequência.

Ao UOL, a delegada Ana Luíza Caruso informou que as investigações seguem avançando, mesmo com o Samu não ajudando até então. A polícia avalia se enquadra o caso do médico como homicídio culposo, crime praticado sem intenção.

Depois de seis meses, e graças à imprensa, o SAMU resolveu colaborar com as investigações e nos passar o nome de quem estava de plantão naquela data e hora. Depois, o inquérito já estará pronto para ser remetido à Justiça. Não tem mais muito o que fazer, já que a omissão é clara. Estamos avaliando se não podemos enquadrá-lo no homicídio culposo
Delegada Ana Luíza Caruso

O UOL entrou em contato com a secretaria municipal de Saúde, responsável pelo atendimento do Samu, mas sem retorno até o momento.

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