SP: nova sede do governo quer 'valorização imobiliária' com shopping térreo

Um dos principais desejos do governo paulista com a transferência de sua sede administrativa para o centro de São Paulo é tornar a região "atrativa para moradia", com maior "valorização imobiliária", segundo o secretário de Projetos Estratégicos do estado, Guilherme Afif Domingos.

O que aconteceu

Estado será dono dos imóveis da sede, mas concessionária vai "explorar" comércios sublocados. Segundo o secretário, o governo planeja divulgar um leilão entre julho e agosto deste ano para receber propostas de construtoras e investidores interessados na PPP (Parceria Público Privada).

O estado vai dar uma contrapartida na ordem de R$ 1,5 bilhão [até o fim da obra], o privado põe o [restante do] dinheiro e pagaremos o resto à prestação ao longo de 30 anos. Depois, o concessionário tem a explorar estacionamento, lojas. (...)
Guilherme Afif Domingos, ao UOL

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Todos os prédios públicos terão comércio, estacionamento e praça pública no térreo. Essas áreas serão administradas pelas empresas privadas. "Será um shopping", explicou o secretário. Com custo previsto em cerca de R$ 5 bilhões, o projeto da nova sede estadual inclui "22 mil metros de fachada ativa".

Nova sede será "maior intervenção urbana já feita" em SP, diz. Segundo Afif, que também é idealizador do projeto, o empreendimento levará 22 mil funcionários do governo para o local da sede, no bairro Campos Elíseos, o que resultaria em um "choque de mudança" e mais "dinamismo socioeconômico" para a a região central.

Além disso, "a polícia inteira vai mudar para lá", detalhou Afif. O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) planeja a transferência de todos os comandos da Polícia Militar e Civil para o centro para "aumentar o policiamento e a segurança" da região.

Objetivo é aproveitar infraestrutura da região para torná-la "atrativo de moradia". Questionado sobre as consequências sociais do plano, que podem ocasionar em processos de especulação imobiliária e gentrificação, o secretário defende a substituição dos termos por "valorização imobiliária".

Vamos começar a mudar as expressões. Especulação imobiliária substitua por valorização imobiliária. Você valoriza. Os que estão lá vão ter seus imóveis valorizados. (...) Queremos tornar o centro atrativo para moradia, de todos os tipos de classes sociais, desde a de interesse social, a classe média e também a alta. Guilherme Afif Domingos

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Afif alega que terrenos em bairros de classe média e alta "se esgotaram" na capital. "Você vai para o Itaim, não tem mais terreno, porque está caro, inclusive. Vai para a Vila Mariana, não tem mais terreno. Onde tinha, no Ipiranga, por exemplo, também explodiu. O único lugar que tem infraestrutura completa de muitos anos e que está vazio é o centro. Então as imobiliárias começaram a descobrir que o caminho é por aí", afirmou.

Outro objetivo do projeto é cortar gastos públicos. A decisão da mudança da sede do governo para o centro decorreu de uma "questão econômica", afirmou o secretário, uma vez que a gestão estadual arca com "alto custo na manutenção de prédios muitas vezes antigos e inadequados, espalhados por toda a cidade".

Desapropriação prevê duas fases

Para a construção da nova sede, governo vai desapropriar ao menos 600 famílias do Campos Elísios até fim de 2026. O projeto prevê a retirada dos moradores de cinco quadras no entorno da praça Princesa Isabel para abrir espaço para a esplanada com os novos prédios administrativos.

Gestão das remoções será dividida em dois grupos. Um deles é composto por famílias que moram nas chamadas ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social), destinadas, predominantemente, à moradia digna para a população da baixa renda. O outro será de famílias de classe média que terão "atendimento especial", segundo secretário (leia mais aqui).

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