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Sem proclamação da República: 10 nações governadas por monarquias

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Imagem: Getty Images

Edison Veiga

Colaboração para o UOL, em Milão (Itália)

15/11/2018 04h01

Foi golpe. Há 129 anos, em 15 de novembro de 1889, integrantes do Exército liderados pelo Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892) destituíram a monarquia e mandaram dom Pedro 2º e sua família para o exílio na Europa. Desde então, o Brasil vive sob regime republicano.

Nas décadas anteriores, diversos países na região haviam feito transições semelhantes, encerrando monarquias e instalando repúblicas --muitos, em bloco, se tornaram Repúblicas assim que declararam independência da Espanha.

Mas não foi assim no mundo todo. Dos mais de 190 países que formam a ONU (Organização das Nações Unidas), pelo menos 30 são monarquias. O cálculo varia, conforme o critério adotado. 

“Monarquia é um sistema de governo no qual o chefe de Estado é um monarca: um rei, uma rainha, um príncipe, um duque, enfim, um nobre”, explica o escritor e historiador Paulo Rezzutti, biógrafo de diversas figuras da monarquia brasileira.

“Isso remonta à época da teoria do direito divino, ou seja, quem nascesse dentro da casa real e fosse herdeiro do trono e viesse assumir o poder, o fazia por um direito que Deus concedeu àquela pessoa.” É o sistema de governo mais antigo ainda em vigência. O monarca se mantém no cargo até a morte ou uma eventual abdicação.

Um caso peculiar é o Vaticano: chefiado pelo papa, o sumo pontífice da Igreja Católica, trata-se de um regime monárquico eletivo. Como os religiosos são celibatários, eles não têm filhos e não podem estabelecer uma monarquia hereditária, como é o mais comum.

Já o exemplo talvez mais popular de monarquia seja o Reino Unido, onde a família real se acostumou a estar nos holofotes.

A seguir, algumas curiosidades sobre dez monarquias vigentes no mundo contemporâneo --mas que não são as únicas.

10 monarquias vigentes no mundo

  • Saudi Press Agency via AP

    Arábia Saudita

    Monarca: Rei Salman, desde 2015. | O rei acumula funções dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O sistema é de uma monarquia absolutista teocrática, cuja religião oficial é o islamismo. O governo é altamente influenciado pelo uaabismo, corrente muçulmana ortodoxa.

  • Reprodução/ReaderDigest

    Emirados Árabes Unidos

    Monarca: Khalifa bin Zayed al Nahyan, desde 2004. | Trata-se de uma confederação de sete monarquias árabes, os chamados emirados, cada qual com sua soberania. O país detém a sexta maior reserva de petróleo do mundo e é uma potência econômica do Oriente Médio. Abu Dhabi, a capital, é um destino turístico de luxo, com seus arranha-céus futuristas e resorts estrelados.

  • Reprodução/The Moment Keepers

    Espanha

    Monarca: Rei Filipe 6º, desde 2014. | De acordo com a Constituição espanhola, o rei deve ser neutro e apartidário. Sua função é representar o país nas relações internacionais. A Espanha tem um Senado e um Congresso de deputados, com membros eleitos por voto popular e responsáveis pela tramitação de leis.

  • Toshifumi Kitamura/AFP

    Japão

    Monarca: Akihito, desde 1989. | Akihito é o único monarca no poder na atualidade com o título de imperador --é o 125º imperador da história do Japão. Ano passado, ele anunciou que deve abdicar do trono em 30 de abril de 2019 em favor de seu filho Naruhito --assim, deve ser o primeiro monarca japonês a renunciar em 200 anos. Trata-se de uma monarquia constitucional, ou seja, os poderes do rei são limitados pela Constituição vigente.

  • Reprodução/The Telegraph

    Mônaco

    Monarca: Príncipe Albert 2º, desde 2005. | O líder é filho da atriz americana Grace Kelly, que se casou com Rainier 3º. Como Mônaco é um principado, o chefe do Estado tem sempre o título de príncipe. Ele é o chefe do Poder Executivo e é o responsável por criar as leis locais, que depois são votadas por um conselho nacional.

  • Mariana Veiga

    Noruega

    Monarca: Rei Haroldo 5º, desde 1991. | Como acontece em muitas monarquias europeias, a função do rei se limita a representar o país em compromissos internacionais. O primeiro-ministro é o chefe de governo, e o Parlamento é o responsável por legislar.

  • Mariana Veiga

    Reino Unido (ou, mais precisamente, Reinos da Comunidade de Nações)

    Monarca: Rainha Elizabeth 2ª, desde 1953. Reúne 16 países: Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Reino Unido e Tuvalu. Mesmo com governos separados, as nações têm como chefe a monarca do Reino Unido. Hoje com 92 anos de idade e com um reinado de 66, a rainha Elizabeth é a chefe de Estado há mais tempo no cargo --e a que mais viajou.

  • Getty Images

    Suazilândia (ou eSwatini)

    Monarcas: Mswati 3º, desde 1982, e Ntfombi of eSwatini, desde 1986. | A nação africana é uma diarquia absolutista em que dois nobres chefiam o país --no caso, Mswati 3º e sua mãe, respectivamente sendo ele o chefe de Estado administrativo e ela a chefe de Estado nacional. A Constituição do país proíbe a existência de partidos e manifestações contra a monarquia.

  • Getty Images

    Tailândia

    Monarca: Maha Vajiralongkorn, desde 2016. Em 2007, na qualidade ainda de príncipe herdeiro da Tailândia, o nobre tornou seu cão Foo Foo, um poodle, major-general da Força Aérea do país. Quando o bicho morreu, em 2015, as cerimônias fúnebres, dentro do rito budista, duraram quatro dias. O país deixou de ser monarquia absolutista em 1932. Desde então, é uma monarquia constitucional.

  • Mariana Veiga

    Vaticano

    Monarca: papa Francisco, desde 2013. | O Vaticano é um caso peculiar de monarquia absolutista em que o soberano é eleito --no caso, por um conselho de notáveis, o conjunto dos cardeais. É a única monarquia teocrática cristã do mundo. Mesmo não pertencendo à União Europeia, a moeda oficial é o euro. A receita do país vem, principalmente, da venda de entradas do Museu do Vaticano, de artigos religiosos e dos Correios, usados inclusive por moradores de Roma, por terem fama de serem mais ágeis e confiáveis que o serviço italiano.