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"As portas dos armários abriram e começaram a bater, e os lustres balançavam", diz brasileira no Chile

Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

2010-02-27T18:19:19

27/02/2010 18h19

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"Às 3h30, mais ou menos, senti a cama se mexer. Como estamos acostumados a pequenos tremores, pensei que logo ia passar, mas vi que a intensidade dos tremores foi aumentando. As portas dos armários abriram e começaram a bater, e os lustres balançavam. Então, fui para baixo do batente da porta do meu quarto e esperei passar."

É assim que a brasileira Marilia Andrade descreve o terremoto de magnitude 8,8 que atingiu o centro-sul do Chile na madrugada deste sábado (27). Ela, que mora há cerca de 2 anos no país, conta que tinha uma viagem programada para o Panamá neste sábado, mas foi obrigada a cancelar o voo por causa do fechamento do aeroporto de Santiago por ao menos 24 horas. Todos os voos foram cancelados até novo aviso.

Andrade ainda conta que teve dificuldades para sair de casa. "Quando parou, tentei sair do apartamento e descer, mas o trinco estava travado. Então, pedi ajuda e, 30 minutos depois, três amigos apareceram para arrombar a porta", relata. Ela também afirma que, ao sair do apartamento, a entrada do prédio estava cheia de crianças, idosos e pessoas com garrafas de água e cobertores.

  • Jose Luis Saavedra/Reuters

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De acordo com Andrade, a rede telefônica está voltando a funcionar pouco a pouco e a Internet já opera normalmente. Ela ainda explica que alguns ônibus já estão em circulação, mas o metrô e as linhas de ônibus intermunicipais seguem parados. “Ainda assim, apesar do susto, estamos todos bem e pouco a pouco Santiago tenta voltar a sua rotina”, desabafa.

De repente, tudo começou a tremer
A brasileira Mônica Giannini disse ao UOL Notícias por telefone que o tremor derrubou estantes e móveis em seu apartamento, no segundo andar de um edifício em Santiago, e provocou a queda de uma fachada de um edifício e de uma árvore na região.

"Já senti outros tremores mais suaves, mas este foi diferente. Tudo balançou muito forte", descreve Giannini. Segundo a brasileira, uma amiga que mora no 19º andar de um prédio em Santiago teve o apartamento "revirado", com todos os móveis e estantes derrubados.

Ao sentir o tremor, por volta das 3h34 no horário local, Giannini correu pelas escadas com tudo que conseguiu pegar e foi para a rua, onde ficou até o amanhecer. O tremor provocou o corte de luz e telefone na região durante a madrugada. Os serviços foram restabelecidos por volta das 9h30 no bairro de Providência, na região sudeste de Santiago, onde Giannini mora.

"Foi uma sensação muito louca. A gente não pode fazer nada, fica impotente", diz Giannini, que mora no Chile há 12 anos.

De acordo com o United States Geological Service (USGS, por sua sigla em Inglês), o terremoto teve seu epicentro a 35 quilômetros de profundidade, na região de Bio Bio, a cerca de 320 quilômetros ao sul da capital chilena, Santiago, e 91 quilômetros ao norte de Concepción.

O Itamaraty informou que o terremoto que atingiu o Chile neste sábado não abalou a embaixada brasileira, localizada em Santiago. Também não há notícias de brasileiros feridos ou mortos na catástrofe, de acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty.

O Itamaraty informa que a embaixada do Brasil em Santiago está trabalhando para dar apoio aos brasileiros que estão no país. Informações sobre brasileiros no Chile podem ser conseguidas pelo telefone (0/xx/61) 3411-8804 ou 3411-8805. O atendimento nestes telefones será feito entre 10h e 18h. Após esse horário, o Itamaraty pede para entrar em contato pelo telefone (00/xx/61) 8197-2284.

No entanto, segundo as agências de notícias, o Chile enfrenta problemas de comunicação, com linhas telefônicas sem funcionar. Várias pontes ficaram danificadas, segundo o subsecretário do Interior, Patrício Rosende. Os danos materiais também estão sendo avaliados pelo governo. Na região de Araucanía, onde houve vítimas, foram relatados danos a hospitais e redes de infraestrutura básica, como água, gás e eletricidade.

Segundo James Lamig, que mora no bairro de Florida, no sul de Santiago, apesar da intensidade do tremor, a população na região tem se comportado com calma. Lamig foi acordado pelo tremor. "Escutamos muito barulho no subterrâneo e tudo se movia", disse.

*Com informações das agências internacionais e Folha Online 

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