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Nazistas perseguiram cão que fazia saudação de Hitler, revelam documentos

A vira-lata Jackie é vista ao lado de seu dono, o empresário finlandês Tor Borg - AP/Tamro Group
A vira-lata Jackie é vista ao lado de seu dono, o empresário finlandês Tor Borg Imagem: AP/Tamro Group

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

07/01/2011 16h32

Uma cadela vira-lata que imitava a saudação de Hitler erguendo a pata enfureceu os nazistas a ponto deles iniciarem uma campanha obsessiva contra o dono do animal, revelam documentos descobertos recentemente. O governo totalitário que chegou a dominar parte da Europa, no entanto, foi incapaz de tomar qualquer medida que surtisse efeito contra o animal e seu dono.

Jackie era uma cadela vira-lata que pertencia a Tor Borg, um empresário finlandês da cidade de Tampere. A mulher de Borg, Josefine, era uma cidadã alemã conhecida por seus sentimentos antinazistas e que chamava o cão de Hitler pelo estranho hábito de erguer a pata toda vez que ouvia os alemães saudarem o "fuehrer" com o grito de "heil Hitler".

Em 29 de janeiro de 1941, o vice-cônsul alemão Willy Erkelenz, em Helsinque, escreveu que "uma testemunha, que não queria dar seu nome, disse ter visto e ouvido como o cão de  Borg reagia ao comando 'Hitler' erguendo sua pata".

Borg, então, foi intimado pela Embaixada da Alemanha em Helsinque e questionado sobre os hábitos incomuns do animal. Ele negou chamar a cadela pelo nome do ditador alemão, mas admitiu que sua mulher chamava o animal de Hitler. Borg tentou se desvencilhar das acusações afirmando que o hábito de erguer a pata começou antes de 1933, quando Hitler chegou ao poder na Alemanha. O finlandês assegurou que nunca fez nada que "pudesse ser visto como um insulto ao Reich alemão".

Os diplomatas alemães em Helsinque não acreditaram na versão e escreveram a Berlim que "Borg, apesar de afirmar o contrário, não está dizendo a verdade".

Diferentes ministérios se envolveram no caso do animal, incluindo o ministério da Economia e a Chancelaria de Hitler. O ministério da Economia sugeriu que a empresa alemã IG Farben cortasse relações comerciais com Borg, que comprava seus produtos farmacêuticos. O escritório de relações exteriores nazista escreveu que procurava meios de levar Borg a julgamento por insultar Hitler.

Não há evidências de que Adolf Hitler teve conhecimento do caso, apesar da história ter circulado pela sua chancelaria, segundo Klaus Hillenbrand, um especialista em história do nazismo, à agência de notícias "Associated Press".

Tor Borg morreu em 1959, aos 60 anos. A sua companhia se transformou na Tamro Group, a lider de vendas de produtos farmacêuticos nos países nórdicos. Josefine Borg faleceu em 1971 e Jackie morreu por causas naturais.

* Com informações da AP

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