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"Crimeia é e sempre será russa", diz Putin ao Parlamento

Do UOL, em São Paulo

2014-03-18T08:53:26

2014-03-18T10:36:08

18/03/2014 08h53Atualizada em 18/03/2014 10h36

O presidente russo, Vladimir Putin, fez um longo pronunciamento ao Parlamento de seu país sobre a anexação da Crimeia e afirmou, nesta terça-feira (18), que leis internacionais não foram transgredidas com a declaração de independência da Ucrânia.

“A Crimeia é uma terra russa, Sebastopol é uma cidade russa”, disse Putin. “A Crimeia sempre foi e seguirá sendo" parte da Rússia.

Em referendo realizado no último domingo (16), mais de 95% dos votantes na Crimeia aprovaram a anexação à Rússia -- para Putin, um resultado "mais do que convincente".

“Cidadãos da Crimeia pediram a nossa proteção para evitar o que aconteceu em Kiev, e não podíamos deixar a população da Crimeia em apuros, senão seríamos considerados traidores”, disse o presidente.

Em discurso muito aplaudido, o líder russo não poupou críticas ao Ocidente pelo que chamou de "interferência" e pelas sanções adotadas contra a Rússia em repúdio ao referendo.

“No caso da Ucrânia, nossos parceiros do Ocidente cruzaram uma linha, uma linha vemelha. Eles foram irresponsáveis", afirmou. “É bom que eles lembrem que a lei internacional existe, é melhor tarde do que nunca."

“Eles foram míopes. Não pensaram nas consequências. A Rússia tem seus interesses nacionais que devem ser levados em consideração."

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Putin citou uma resolução dos Estados Unidos de 2009 que garante que “uma declaração de independência pode ocorrer para violar a lei doméstica, mas não a lei internacional”. 

De acordo com o presidente russo, a Ucrânia fez o mesmo quando deixou a extinta URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), e agora os moradores da Crimeia têm esse mesmo direito negado.

“Você não precisa de autoridades centrais para declarar seu país soberano. A lei internacional não bane uma declaração unilateral de independência”, afirmou Putin.

Após declarar que deseja a reabilitação dos tártaros na Crimeia e o estabelecimento de três línguas oficiais na região –russo, ucraniano e o idioma dos tártaros da Crimeia--, o presidente disse que “as relações com a Ucrânia sempre serão importantes para nós”.

“Em nossos corações, a Crimeia sempre foi uma parte inalienável da Rússia”, afirmou Putin.

Em uma tentativa de assegurar que não quer tomar outras partes da Ucrânia, o presidente russo disse que a Rússia não quer que o país seja dividido.

"Não acreditem naqueles que tentam assustar vocês com a Rússia e que gritam que outras regiões virão depois da Crimeia", disse Putin. "Não queremos uma partição da Ucrânia, nós não precisamos disso."

O presidente afirmou ainda que nunca irá iniciar uma confrontação com o Ocidente, mas que defenderá os interesses russos.

A Crimeia, que abriga a frota russa no mar Negro, foi parte da Rússia até 1954, quando o então dirigente soviético Nikita Kruschev passou seu controle à Ucrânia.

Após a queda do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, em fevereiro de 2014, as populações das regiões sul e leste do país foram às ruas para protestar contra o que consideraram um golpe de Estado. A Rússia, aliada de Yanukovich e com interesses na região, apoiou esse movimento. (Com agências internacionais)

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