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Depoimento: Visita ao Memorial 11 de Setembro é passeio tétrico

Larissa Leiros Baroni*

Do UOL, em Nova York

11/09/2015 12h00

Um ambiente de arrepiar qualquer um, de tirar o fôlego de muitos e até de arrancar lágrimas de uns e outros --como eu. A visita ao Museu Nacional do 11 de Setembro, construído no local onde ficavam as torres do World Trade Center, em Nova York (EUA), começou com a euforia, passou por tensão e terminou com a vontade louca de sair correndo de lá.

A euforia da entrada é proporcionada pela paisagem da área externa do memorial, que é composta por muitas árvores e duas piscinas contornadas com uma placa de bronze com os nomes de cada uma das vítimas do ataque. 

O barulho da queda da água --que representaria as lágrimas derramadas durante o atentado terrorista-- transmite tranquilidade, apesar de as flores colocadas ao lado de determinados nomes representar a dor das famílias.

Com o horário marcado para a entrada no museu, o jeito foi partir para a fila inicial e, consequentemente, para a revista. Pela quantidade de pessoas a minha frente, achei que levaria um bom tempo ali, mas não. Até que foi rápido. Passados dez minutos, chegou a minha vez. A recomendação era tirar todos os objetos do bolso, colocá-los em uma caixa de plástico junto com a bolsa para que passassem pelo raio-x. Com as mãos na orelha e as pernas levemente abertas, também passei por um detector de metal --igual ao do aeroporto.

Ao chegar do lado de dentro do museu, uma pequena surpresa. Era um guarda questionando o que levava em minha bolsa --que já tinha passado pelo detector de metal ao menos três vezes. A minha reação foi abri-la para que pudesse provar que não tinha nada de mais, além de documentos, dinheiro, celular e um tablet. Demorou para que ele se convencesse disso, até que conseguiu identificar o misterioso objeto redondo notado pelo raio-x. Nada mais era que o símbolo da Apple estampado na capinha do iPad. 

Num primeiro momento, fiquei brava e muito tensa. Mas, após refletir sobre a história que acabou resultando naquele mesmo museu, consegui entender o tamanho da preocupação desses guardas. Uma preocupação que deveriam ter tido no passado e que, possivelmente, teria salvado muitas vidas.

Do lado de dentro, bastaram dez passos para ser tomada por um sentimento de tristeza e pela sensação de um ambiente pesado --carregado de energias negativas. Isso porque o passeio começou com fotos do acontecimento e objetos que sobreviveram ao ataque, tais como a antena de telecomunicações do edifício e um carro do Corpo de Bombeiros.

A situação começou a ficar mais tensa quando entrei em um espaço fechado --onde é proibido o registro de fotos. O local se assemelha a um labirinto de filme de terror. No escuro, você é obrigado a seguir o fluxo com a cronologia dos ataques terrorista. Para tornar o ambiente ainda mais tenso, um som ao fundo das vítimas gritando, pedindo socorro. Comecei a passar muito mal... parecia que estava vivendo o que aquelas quase 3.000 pessoas viveram no dia 11 de setembro de 2001.

Só queria sair de lá. A estratégia foi evitar olhar para os painéis e tentar abstrair o som ambiente --que me perseguiu nas duas noites seguidas à visita. Fiz daquele percurso uma maratona. Com passos largos e acelerados não via a hora de conseguir sair. Até que cai em um espaço muito mais perturbador. Para onde olhava, via vítimas pulando do edifício em um ato desesperado de não morrerem queimadas ou mesmo como uma última tentativa de se salvarem daquela tragédia.

Não aguentava mais aquilo e quando parecia ter chegado ao meu limite, finalmente, encontrei a porta de saída. Fui recepcionada por uma segurança que chegou a me questionar se estava tudo bem. A minha reação foi dizer que "sim", quando na verdade era "não". No banco em frente a esse espaço, me sentei ao lado de um casal de idosos --que também estava chorando-- na tentativa de me recompor.

Enquanto tentava assimilar o que tinha vivido naqueles últimos minutos, passei a observar as pessoas que saíam do labirinto. Todas elas, sem exceção, esboçavam uma reação de tristeza, o que me levou a questionar qual seria o motivo daquilo tudo.

Claro que é importante tentar preservar a história, reconhecer o sofrimento daquelas pessoas e tratá-las como "heroínas" de um episódio trágico.

Mas o que me pareceu foi mais uma tentativa dos Estados Unidos de se "vitimizarem" e, talvez, "justificarem" suas ações que também transformam inocentes em vítimas.

* A jornalista viajou a convite da Samsung.

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