Em hospital psiquiátrico, "pelado" do Vaticano planeja voltar ao Brasil

Eduardo Schiavoni

Colaboração para o UOL, em Ribeirão Preto (SP)

  • Reprodução/Facebook/Cherubah Giampaoli Luis Carlos Cherubino

    Luis Carlos Giampaoli posta foto na Itália

    Luis Carlos Giampaoli posta foto na Itália

O brasileiro Luis Carlos Giampaoli, 44, que acabou detido ao ficar pelado na Basílica de São Pedro, no Vaticano, em 4 de janeiro, está internado em um hospital psiquiátrico e planeja voltar ao Brasil.

A informação é de Alexandre João Paulo, irmão dele que mora em Cerquilho (São Paulo) e que conversou com Guampaoli na terça-feira (12). Alexandre afirmou ainda que Giampaoli não será deportado e que a volta, ainda sem data definida, ocorrerá por vontade própria.

"Não falamos muito, foi super rápido, mas tranquilizou bastante a gente. Ele disse que está bem e que quer voltar ao Brasil", contou Alexandre. Até o começo da semana, a família não tinha tido informações oficiais sobre o paradeiro de Luis.

Alexandre contou que o irmão está internado na clínica psiquiátrica Santo Espírito, em Roma, onde passou por avaliação e permanecerá até ter alta. A reportagem tentou contato com a instituição, que confirmou a internação, mas não informou detalhes sobre a condição do brasileiro.

"Eu acho que ele teve uma espécie de surto. Não é da personalidade dele agir assim, ele estava bem. Espero que a avaliação constate isso", disse ele. "Não falamos sobre o que ele fez nem sobre o que o levou a fazer", disse.

Ainda segundo Alexandre, o irmão não detalhou quando a volta ocorrerá, mas relatou que está em contato com a Embaixada do Brasil e que se sente "otimista e tranquilo" planejando o regresso ao país. Procurado, o Itamaraty informou que não comenta detalhes da situação, mas que está acompanhando o caso.

Reprodução/Twitter/@EdoardoBuffoni
Luis ficou pelado na Basílica de São Pedro

O caso

Luis, que tem cidadania italiana, viajou para Roma no início de janeiro e foi filmado, por um turista, onde aparece vestindo apenas meias, tênis e uma mochila preta na Catedral de São Pedro enquanto levanta os braços e grita que "não há solidariedade em Roma", dizendo que demorou 17 anos para conseguir a esperada cidadania italiana e agora teve de dormir nas ruas.

Ele foi detido pelas autoridades e enviado para a clínica psiquiátrica, onde está desde então.

Descrito por familiares como religioso, apaixonado por Roma e cozinheiro de talento, Luis é o segundo filho de uma família com sete irmãos, é solteiro e não tem filhos. Os pais, já mortos, passaram toda a vida em Laranjal Paulista (a 159 km de São Paulo), onde a maior parte da família reside.

Neto de imigrantes italianos, Luis mudou-se para São Paulo há cerca de seis anos, onde concluiu um curso técnico de enfermagem e chegou a trabalhar, segundo a família, em hospitais de grande porte, entre eles o Hospital das Clínicas. 

"Ele sempre foi apaixonado por teatro e tinha uma ideia fixa de ir morar na Itália", conta o jornalista Ivan Torraca, que conhecia Luis e morava no mesmo bairro que ele na capital.

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