Premiê da Islândia renuncia por escândalo dos "Panama Papers"

Em Berlim

  • Stigtryggur Johannsson/Reuters

    Protestos exigiram a renúncia do premiê

    Protestos exigiram a renúncia do premiê

O primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, envolvido nos "Panama Papers" por ter tido uma empresa em um paraíso fiscal, renunciou nesta terça-feira (5). Trata-se da primeira baixa após a divulgação dos documentos, em nível mundial.

A renúncia ocorreu após ele ver seu pedido de dissolução do Parlamento negado pelo presidente do país, Ólafur Ragnar Grímsson.

"Eu não acho que seja normal o primeiro-ministro, sozinho, ter autoridade para dissolver o Parlamento sem que a maioria da Casa esteja satisfeita com a decisão", disse o presidente aos jornalistas.

Após ter se recusado a renunciar na segunda-feira, o premiê acabou ainda mais pressionado até mesmo pela coalizão do seu partido.

Nesta terça, ele usou o Facebook para se manifestar.

"Eu disse ao líder do Partido Independente que se os parlamentares do partido acreditam que eles não poderiam apoiar o governo para realizar tarefas conjuntas, eu iria dissolver o Parlamento e convocar novas eleições", escreveu ele.

Agora, eleições antecipadas devem ser convocadas. Mas há rumores de que, temporariamente, o ministro da Agricultura seja nomeado o novo primeiro-ministro.

Sigtryggur Johannsson/Reuters
Sigmundur David Gunnlaugsson chega em sua residência em Reykjavik

Mais de 10 mil pessoas se manifestaram ontem no centro de Reykjavík para pedir a renúncia de Gunnlaugsson, líder do Partido Progressista, após seu nome ser um dos que apareceram nos milhões de documentos da empresa panamenha Mossack Fonseca divulgados no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ).

Em paralelo, as quatro forças da oposição solicitaram formalmente um voto de censura contra o chefe do governo, mas ainda não foi definida a data para isso acontecer.

Ontem também, Gunnlaugsson disse a um canal de TV local que está determinado a continuar a frente do governo e apostou por concluir a legislatura para que os eleitores mostrem seu parecer no próximo pleito, previsto para 2017.

Conforme os documentos divulgados, Gunnlaugsson e sua mulher, Sigurlaug Pálsdóttir, eram donos de uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas chamada Wintris. Lá foram depositados quase US$ 4 milhões em títulos nos três principais bancos islandeses que entraram em colapso na crise de 2008.

Gunnlaugsson entrou no Parlamento islandês em 2009 e no final daquele ano vendeu sua metade de participação na Wintris a sua mulher por US$ 1. O primeiro-ministro sustentou que em nenhum momento ele ou sua mulher fizeram uso dessa empresa para evitar pagar impostos na Islândia.

Ele chegou ao cargo em 2013, com o apoio do Partido da Independência, cujo líder, Bjarni Benediktsson, atual ministro das Finanças, também aparece nos Panama Papers. (Com agências internacionais e a BBC)

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