Trump completa um mês no poder com gafes e polêmicas

Do UOL, em São Paulo

  • Evan Vucci/AP

O primeiro mês do governo Donald Trump viu acontecer uma batalha judicial em torno da proibição de entrada de refugiados e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana no país; uma disputa com o México por causa da construção de um muro na fronteira entre os dois países; a indicação de um juiz conservador para a Suprema Corte; a renúncia do assessor de Segurança Nacional por causa de contatos indevidos com autoridades russas, para citar apenas alguns acontecimentos.

"Se antes você tinha 'Obama-sem-drama', agora você tem 'Trump-com-drama-o-tempo-todo'", afirmou o estrategista republicano John Feehery ao jornal "The New York Times". 

O mês também foi marcado por gafes -- algumas sem maiores consequências; outras, representando sérios conflitos de interesse; e outras ainda, segundo analistas, chegando a colocar em risco informações privilegiadas do governo. O UOL fez uma seleção das mais notórias.

Ricardo Mazalan/AP

Um telefonema tenso

Trump teria batido o telefone na cara do premiê australiano, Malcolm Turnbull, no meio de uma tensa conversa envolvendo refugiados. De acordo com o "The Washington Post", Trump disse a Turnbull que o acordo que tinha feito com Barack Obama era "o pior da história" e se queixou que, se for cumpri-lo, iria "matar" politicamente os Estados Unidos.

Além disso, Trump acusou a Austrália de querer exportar "o próximo terrorista de Boston", em referência aos terroristas que em 2013 realizaram um atentado durante uma maratona nessa cidade, ao pretender enviar 1.250 refugiados que estão em centros de detenção da Austrália.

O presidente americano disse a Turnbull que a conversa que estavam tendo era "de longe a pior" das cinco que tinha realizado naquele dia com líderes internacionais, incluindo o russo Vladimir Putin,

Trump, em seguida, interrompeu a conversa que deveria durar aproximadamente uma hora e foi de apenas 25 minutos.

 

Trump dá aperto de mão demorado no premiê japonês

 

Apertinho de mão

Os longos e fortes apertos de mão dados pelo presidente nos seus visitantes foram outro tema de controvérsia. Trump é acusado de puxar o braço da outra pessoa de modo talvez efusivo demais.

O premiê japonês, Shinzo Abe, em visita à Casa Branca, não disfarçou o desconforto, captado pelas câmeras.

Trump, aliás, o chamou o tempo inteiro de premiê Shinzô, outra gafe. O líder americano também acompanhou a coletiva do colega, feita em japonês, sem auxílio de tradutor.

Recebido dias depois, o premiê canadense, Justin Trudeau, foi mais precavido e parece ter calculado bem a pegada antes de estender sua mão.

Kevin Lamarque/Reuters

"Situation room" no Facebook

A publicação nas redes sociais das conversas de Donald Trump com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e seus assessores em um restaurante, após o teste de míssil feito pela Coreia do Norte, suscitou questionamentos sobre o manejo de informações secretas por sua administração.

A reunião - que normalmente é feita a portas fechadas - foi gravada de muito perto com uma câmera por um funcionário do clube de Trump, Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.

O usuário do Facebook Richard DeAgazio publicou imagens de Trump em um grupo junto com assessores e o primeiro-ministro Abe e atendendo a ligações.

Facebook/Reprodução

Em uma das legendas da publicação, posteriormente removida, era possível ler: "o presidente recebendo notícias sobre o incidente dos mísseis da Coreia do Norte com o primeiro-ministro (japonês) sentado ao seu lado".

DeAgazio escreveu mais tarde: "o primeiro-ministro Abe, do Japão, reunido com sua equipe, enquanto o presidente fala ao telefone com Washington DC. Depois, os dois líderes mundiais mantiveram conversas e logo foram para outra sala para uma coletiva de imprensa organizada às pressas. Uau... No centro da ação!!".

Em outra foto, DeAgazio posa ao lado de um homem que identifica como Rick e que diz ser o portador da "bola de futebol nuclear" -- a mala preta contendo os códigos nucleares à disposição do presidente dos EUA.

Instagram/Reprodução

Lincoln fake

Republicanos postaram (depois apagaram) e Trump publicou em sua conta pessoal no Instagram uma frase atribuída a Abraham Lincoln, porém nunca dita pelo ex-presidente americano.

"E no fim, não são os anos na sua vida que contam, mas a vida nos seus anos", postou Trump, junto com a mensagem "FELIZ ANIVERSÁRIO Abraham Lincoln!!!", no dia do seu aniversário. 

A postagem foi recebida com várias curtidas, mas também foi muito rebatida com mensagens de "FAKE NEWS" (notícia falsa) -- bordão muito usado por Trump para detratar reportagens da imprensa norte-americana de cujo conteúdo discorda. 

Kevin Lamarque/Reuters

Atentado que nunca existiu

Em comício na Flórida diante de milhares de pessoas, Trump inventou um atentado na Suécia que nunca aconteceu. 

"Vocês veem o que está acontecendo?", disse Trump. "Temos de manter nosso país a salvo. Vejam o que ocorreu na Alemanha, o que ocorreu na noite passada na Suécia", acrescentou.

O presidente americano mencionou outros ataques, como os de Bruxelas e Nice, para refletir. "A Suécia, quem iria imaginar", em uma tentativa de destacar que trata-se de um país seguro.

O Ministério das Relações Exteriores sueco pediu ao Departamento de Estado americano.

O ex-primeiro-ministro do país, Carl Bildt se perguntou: "A Suécia? Um ataque terrorista? O que ele fumou?".

Depois Trump explicou que havia se referido a um programa de TV sobre aumento de criminalidade, que havia assistido na véspera.

Propaganda para Ivanka

No mesmo dia em que a loja de departamentos Nordstrom decidiu deixar de vender produtos da grife Ivanka Trump (a filha do presidente), Trump foi a Twitter reclamar.

"Minha filha Ivanka foi tratada muito injustamente pela @Nordstrom. Ela é uma ótima pessoa, sempre me empurrando para fazer a coisa certa. Terrível!", escreveu o presidente.

My daughter Ivanka has been treated so unfairly by @Nordstrom. She is a great person -- always pushing me to do the right thing! Terrible!

— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) February 8, 2017

Trump publicou o comentário usando sua conta pessoal do Twitter; em seguida, ele foi retuitado pela conta oficial dele como presidente dos EUA.

Políticos democratas classificaram a iniciativa de "inapropriada", "ultrajante" e "antiética".

No dia seguinte, foi a vez de uma das principais assessoras do presidente americano defender a marca de Ivanka. "Saiam e comprem coisas de Ivanka. Eu vou sair e comprar algo", disse Kellyanne Conway, conselheira do presidente. 

"É uma linha de roupa maravilhosa. Eu tenho algumas peças. Vou fazer publicidade gratuita. Saiam e comprem (roupas de Ivanka)", acrescentou Conway em uma entrevista ao canal "Fox News" emitida desde a sala de imprensa da Casa Branca.

Conway pode ser investigada pelo Gabinete do Inspetor-Geral e pelo Gabinete de Ética Governamental.

 

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