Governo do México autoriza polícia a matar criminosos que utilizem facão

Colaboração para o UOL

  • Divulgação / Polícia de Hermosillo

O governo do Estado mexicano de Sonora tomou uma medida para lá de polêmica: autorizou a polícia a matar supostos criminosos armados com machetes, uma espécie de facão.

"Caso os delinquentes portadores de armas proibidas estejam circulando por vias públicas e forem abordados por nossos agentes, ao mínimo sinal de reação ao tentar sacar as machetes, os policiais estão autorizados a usarem força letal em legítima defesa", declarou o promotor estadual Rodolfo Montes de Oca à imprensa local.

A decisão foi tomada após várias ocorrências de assaltos com os criminosos utilizando facões. Um dos casos revoltou a população da cidade.

O enfermeiro Martín foi abordado por seis adolescentes lhe pedindo dinheiro, e ao se recusar, foi ferido com uma machete. Indignado, o homem deu entrevista para uma rádio, pedindo que as autoridades agissem. Onze dias depois, foi encontrado morto com um ferimento na jugular.

Quinze dias depois da nova decisão do governo, quatro homens portando facões foram mortos, inclusive um suposto líder de uma quadrilha de "macheteros". A foto do cadáver do rapaz de 27 anos, ensanguentado e deitado ao lado do facão foi divulgada pelas autoridades e viralizou nas redes sociais.

A maioria dos internautas aprovou a ação do governo. "Para mim não importa se eliminam essa escória legal ou ilegalmente", "É assim que se lida com essa gente", foram alguns dos comentários. Segundo o jornal espanhol "El País", poucos criticaram a medida e seu conflito com os direitos humanos.

Para Manuel Emilio Hoyos, diretor do Observatório Sonora pela Segurança, o clima de insegurança levou que grande parte da população aprovasse a decisão. "É uma medida para acalmar os ânimos que acredito não ser o caminho. É preciso usar os recursos do Estado para investir na capacitação. A polícia não tem que matar cidadãos de nenhum tipo", explica em entrevista ao "El País".

A governadora de Sonora, Claudia Pavlovich, está se amparando no artigo 13 do Código Penal do Estado, que não prevê punição para um delito quando é em legítima defesa. Essa brecha na lei mexicana é o que permitiu as autoridades locais darem sinal verde para a polícia matar.

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