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Protesto de ativistas de direita é sufocado por manifestação antirracismo em Boston

Stephanie Keith/Reuters
Imagem: Stephanie Keith/Reuters

Do UOL, em São Paulo

19/08/2017 13h19

Durou menos de uma hora um protesto convocado pela direita em Boston, nos Estados Unidos, neste sábado (19), pela "liberdade de expressão". O protesto defendia o direito dos norte-americanos de manifestarem suas opiniões, incluindo mensagens de intolerância racial e supremacia branca. 

O evento acabou sendo sufocado por um contraprotesto antirracismo em que cerca de 15 mil pessoas caminharam em passeata até o histórico parque Boston Common, onde a direita se reunia. 

Manifestantes dos dois lados se encontraram e houve momentos de tensão, com gritos de ordem de militantes, mas não houve casos de violência entre eles. A polícia montou um forte esquema de segurança para acompanhar os protestos, montou um cordão de isolamento entre os grupos e escoltou ativistas da direita para longe da multidão. 

Do lado de fora do parque, houve confrontos entre policiais e militantes antirracismo. 

19.ago.2017 - Protesto antirracismo em Boston, EUA - Spencer Platt/AFP - Spencer Platt/AFP
Imagem: Spencer Platt/AFP

As marchas acontecem uma semana após os protestos em Charlottesville, no Estado da Virgínia, no sábado (12), que terminaram em confrontos e na morte de uma mulher.

Os organizadores do protesto deste sábado, pela liberdade de expressão, convidaram "libertários, conservadores, tradicionalistas, liberais clássicos, apoiadores do presidente Donald Trump e todos que valorizam sua liberdade de expressão" a participarem do evento.

Eles afirmaram que o protesto não tem relação com nenhum grupo da chamada alt-right (grupo da extrema-direita dos EUA) ou de supremacistas brancos.

A prefeitura autorizou a realização do evento sob várias condições, incluindo a proibição de mochilas, bastões e qualquer objeto que pudesse ser usado como arma branca.

Em direção ao parque onde se reuniam os ativistas de direita, milhares de manifestantes marcharam contra o protesto. Dentre eles, havia grupos da esquerda e de ativistas do movimento Black Lives Matter com placas e faixas contendo mensagens de repúdio à intolerância, ao racismo e ao discurso de ódio.

19.ago.2017 - Protesto antirracismo em Boston, EUA - Spencer Platt/AFP - Spencer Platt/AFP
'Vidas negras importam", diz cartaz de manifestante
Imagem: Spencer Platt/AFP

Cerca de 500 policiais, fardados e à paisana, acompanharam as manifestações, segundo o comissário da polícia William Evans.

O prefeito de Boston, Marty Walsh, se manifestou sobre os protestos em uma rede social mais cedo. "Peço a todos para serem pacíficos hoje e respeitarem nossa cidade. Amor, não ódio. Nós permaneceremos juntos contra a intolerância", disse.

Charlottesville

Na semana passada, centenas de nacionalistas brancos foram à cidade de Charlottesville para protestar contra planos de remover uma estátua do general Robert E. Lee, comandante do Exército confederado pró-escravidão na Guerra Civil dos EUA.

As brigas de rua explodiram quando os nacionalistas brancos encontraram manifestantes contra o racismo. Um manifestante nacionalista avançou de carro na multidão e atropelou várias pessoas do grupo antirracismo. A ativista Heather Heyer, 32, morreu e 19 ficaram feridos.

Declarações de Trump

Após o incidente, o presidente Trump foi criticado por democratas e por membros do próprio Partido Republicano por insistir em culpar pela violência tanto os supremacistas brancos quanto os militantes anrirracismo.

Até os ex-presidentes republicanos George H.W. Bush e George W. Bush, em um comunicado conjunto pouco comum, pediram aos americanos que "repudiem o racismo, o antissemitismo e o ódio em todas as suas formas".

O antecessor democrata de Trump, Barack Obama, postou uma mensagem que, em pouco tempo, superou a marca histórica dos três milhões de compartilhamentos no Twitter. Ele citou Nelson Mandela: "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele".

Trump disse que suas declarações foram deturpadas pela imprensa.

A posição dúbia do presidente norte-americano sobre os supremacistas também gerou mal-estar entre os principais empresários dos EUA.

Desde o episódio em Charlottesville, importantes executivos de algumas das maiores empresas do país, como Merck e Intel, anunciaram seus desligamentos de conselhos criados por Trump em janeiro. A onda negativa foi tal que Trump, em mais um de seus intempestivos anúncios pelo Twitter, decretou o encerramento dos órgãos, na quarta-feira.

(Com agências de notícias)