Quais são os recursos dos EUA na Ásia que poderiam conter uma ameaça norte-coreana?

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

Enquanto a Coreia do Norte ameaça os EUA, incluindo um ataque com mísseis contra a ilha de Guam, o governo americano mantém mais de 62 mil soldados no Japão e na Coreia do Sul, além das bases militares, navios e aviões.

Em entrevista ao UOL, o professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, Alexandre Uehara, explica que os EUA ampliaram sua presença no Pacífico após o fim da Guerra Fria, depois que a União Soviética, e posteriormente a Rússia, deixaram de ser uma ameaça. O principal rival, agora, passa a ser a China, por seu crescimento econômico. Além disso, Pequim tem hoje o maior contingente militar do mundo.

"Vale lembrar que China e EUA tiveram um papel ativo na Guerra das Coreias, inclusive na criação da fronteira entre Norte e Sul ", diz Uehara. Desde 1950, a fronteira é definida pelo Paralelo 38 Norte (uma linha a 38 graus do Equador).

Mas a presença dos EUA nos arredores do território que hoje é ocupado pela Coreia do Norte é anterior à Guerra Fria: os EUA fixaram o seu contingente militar no Japão e na Coreia do Sul na Segunda Guerra. A relação com as Filipinas é ainda mais antiga --as ilhas foram ocupadas pelos EUA no fim do século 19 e, depois, reconhecidas como um Estado independente em 1946, mas as parcerias estratégicas militares (e as bases) foram mantidas. 

"Os EUA mantêm uma espécie de arco que se forma em volta da Ásia, e na verdade esse cordão passa pelo Japão, Coreia do Sul, desce para os países do Sudeste Asiático, passa pelo Oceano Índico, pelo Oriente Médio e vai até a Europa", cercando China e Rússia. "Ainda que a China seja um parceiro econômico importante, existe uma preocupação estratégica com a China", explica.

Veja um panorama das forças dos EUA na região:

Japão

O país mantém hoje o maior contingente militar americano fora dos EUA no mundo. Segundo dados do Departamento de Defesa, os EUA têm em solo japonês 39.623 soldados (dados de junho de 2017) em 122 bases, quartéis e outras instalações militares, resultado da ocupação pós-Segunda Guerra. As tropas estão instaladas em maior número na base de Kadena, em Okinawa.

Além dos soldados, os EUA têm no país dezenas de helicópteros, caças e aviões de vigilância. O país também abriga a Sétima Frota da Marinha, a maior dos EUA. Ela tem entre 50 e 70 navios e submarinos, 140 aeronaves e pelo menos 20 marinheiros entre o Pacífico e o Índico. A frota tem também pelo menos 12 submarinos nucleares e 14 destróieres e cruzadores armados com interceptadores de mísseis balísticos, lançadores de mísseis Tomahawk.

Coreia do Sul

Depois da Alemanha (com 34.399 soldados), a Coreia do Sul tem o terceiro maior contingente militar americano fora dos EUA --são 23.297 soldados em 83 quartéis, bases e instalações militares. O país ainda mantém as United States Force Korea, cuja missão é "deter agressões e, se necessário, defender a Coreia do Sul e manter a estabilidade no Nordeste Asiático".

Mais de 300 tanques estão posicionados na Coreia do Sul. Além disso, os EUA começaram neste ano a instalação do escudo antimísseis Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), que provocou a revolta de sul-coreanos --a população das cidades em que o THAAD seria instalado se opõem, por medo de virarem alvo fácil dos norte-coreanos-- e da China, que é contra a instalação do escudo na Coreia do Sul. A proposta do THAAD é interceptar o míssil durante o voo.

Guam e Ilhas Marshall

A ilha de 163 mil habitantes é território dos EUA desde 1898, quando a Espanha o cedeu após a Guerra Hispano-Americana, mas é comandada por um governo local. Tem 4.299 soldados americanos em instalações e bases militares, incluindo a base aérea de Anderson, de onde partem os bombardeiros B-52 e outros caças. A ilha também é protegida por um sistema THAAD. Guam já foi ameaçada em outras ocasiões pela Coreia do Norte, já que estaria no raio de ataque dos mísseis de médio alcance de Pyongyang.

Radares e sistemas de interceptação também estão instalados nas Ilhas Marshall, no atol de Kwajalein.

Havaí

É o Estado dos EUA mais próximo da Coreia do Norte e hoje é a sede do Comando norte-americano no Pacífico, que controla toda a região do Pacifico asiático. O Havaí tem 37.497 soldados, mas o Comando Pacífico hoje é responsável por 375 mil militares e civis, 200 navios, 1.100 aeronaves e mais de 130 mil militares e civis.

Filipinas, Tailândia e Cingapura

Os EUA mantêm uma pequena presença militar nos países do Sudeste Asiático, incluindo cinco bases nas Filipinas. A Tailândia permite que aeronaves dos EUA usem suas pistas de pouso, e Cingapura mantém um dos quartéis da Marinha dos EUA e alguns navios dos EUA -- recentemente, o USS John S. McCain se envolveu em um acidente na região, colidindo com um petroleiro e matando dez marinheiros.

Entenda o programa de mísseis norte-coreano

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