O que a Coreia do Norte achou do livro "Fogo e Fúria"?

Do UOL, em São Paulo

  • AFP PHOTO / KCNA VIA KNS / KCNA via KNS AND Nicholas KAMM / South Kore

    Donald Trump (esq.) e Kim Jong-un

    Donald Trump (esq.) e Kim Jong-un

O livro sobre o primeiro ano de Trump na Casa Branca é o "prenúncio da morte política" do atual presidente. É o que diz uma resenha de "Fogo e Fúria: Dentro da Casa Branca de Trump" feita pelo jornal norte-coreano "Rodong Sinmun". A publicação é dirigida pelo Partido dos Trabalhadores, que controla o governo do país, historicamente em rixa com os Estados Unidos.

Lançado no dia 5 de janeiro nos EUA e com lançamento previsto para março no Brasil, o livro escrito pelo jornalista Michael Wolff já bateu recordes de vendas ao fazer um retrato polêmico da atual administração americana. Nele, Wolff retrata um Donald Trump sem noção e desrespeitado por toda a sua equipe. 

A obra não só despertou interesse dentro dos Estados Unidos, mas também ao redor do mundo, chegando até à fechada Coreia do Norte. A expressão que vai ao título, "fogo e fúria", foi usada por Trump em 2017 para ameaçar o país asiático, ante a ameaça nuclear norte-coreana.

A ameaça agora saiu pela culatra e o jornal norte-coreano cita o livro como o início da queda do presidente. "O livro anti-Trump está se espalhando pelo mundo e ele está sendo massivamente humilhado em escala global", diz a crítica do "Rodong Sinmun"".

A troca de insultos entre os líderes dos dois países se arrasta desde o início do mandato de Trump. O presidente norte-americano se refere de forma depreciativa a Kim Jong-un como "pequeno homem foguete" numa "missão suicida". Kim, por sua vez, se dirigiu ao magnata em seu discurso de Ano-Novo como um "doente mental" e "senil", lembrando-o de que possui um botão nuclear em sua mesa. O ápice da troca de farpas foi a resposta de Trump, via Twitter, de que também possui um botão em sua mesa, mas muito maior

Antes da crítica publicada nesta manhã, a recepção do livro pela liderança norte-coreana foi alvo de brincadeiras, como uma foto do líder norte-coreano Kim Jong-un lendo o livro com uma expressão de satisfação e graça. Trata-se de uma montagem publicada no dia 8 de janeiro pela conta do Twitter DPRK, uma paródia da agência estatal KCNA.

Embora tenha caído no gosto do governo norte-coreano e de boa parte dos críticos de Trump, "Fogo e Fúria" é criticado por não ser exatamente fiel aos fatos. Seu autor, Michael Wolff, é acusado por colegas de imprensa e por fontes de distorcer declarações e até mesmo inventar episódios inteiros. O governo Trump chamou a obra de "coisa de tabloide" e ameaçou tomar medidas legais contra a sua circulação.

Enquanto os humores entre os dois países se exaltam, a Coreia do Norte deu alguns passos positivos em direção à aproximação com a Coreia do Sul. Na terça (9), autoridades dos países vizinhos se encontraram pela primeira vez em dois anos para negociar a ida de dois patinadores norte-coreanos à Olimpíada de Inverno, que acontece em fevereiro, na cidade sul-coreana PyeongChang. Analistas entendem que os eventos recentes levam à abertura de um diálogo entre Coreias, sem intervenções externas. 

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