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Presidente do Peru, PPK renuncia após escândalo envolvendo Odebrecht

Presidente do Peru, PPK deixa o palácio do governo, após apresentar sua renúncia ao congresso - Mariana Bazo/Reuters
Presidente do Peru, PPK deixa o palácio do governo, após apresentar sua renúncia ao congresso Imagem: Mariana Bazo/Reuters

Do UOL*, em São Paulo

21/03/2018 15h47

O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, apresentou sua renúncia ao Congresso nesta quarta-feira (21), às vésperas de uma votação para seu impeachment e após alegações de compra de votos abalarem seu governo de centro-direita. Conhecido como PPK, ele liderou o país por um ano e sete meses. 

Kuczynski, 79, deixará o cargo depois que sua renúncia for aceita pelo Congresso e, de acordo com a Constituição, deve ser substituído pelo seu primeiro vice-presidente, o engenheiro Martin Vizcarra. 

Em um anúncio oficial feito à nação nesta tarde,  Kuczynski disse ter "dado o melhor" de si durante seu governo e agradeceu a seus colaboradores. "O melhor para o país é que eu renuncie", disse o presidente, rodeado de seus ministros. Ele também culpou a oposição por armar a "demolição de seu governo". 

A crise política enfrentada por PPK teve início com a operação Lava Jato, que impulsionou investigações em diversos países da América Latina e da África, com acusações de que a empreiteira Odebrecht teria subornado governos locais para garantir contratos de obras públicas. 

Nesse contexto, PPK foi acusado de receber propina para favorecer a empreiteira quando atuava como ministro --entre 2004 e 2006. Em dezembro de 2017, o congresso peruano votou um pedido de impeachment do presidente, no entanto o processo não teve o número de votos necessário para derrubá-lo. 

No fim de 2017, manifestantes foram às ruas contra o presidente Pedro Pablo Kuczynski - Guadalupe Pardo/Reuters
No fim de 2017, manifestantes foram às ruas contra o presidente Pedro Pablo Kuczynski
Imagem: Guadalupe Pardo/Reuters

No entanto, nos últimos dias, veio à tona um vídeo em que políticos pró-governo oferecem projetos de obras públicas a parlamentares, em troca de ajuda para derrotar o pedido de impeachment. O escândalo foi apelidado de "Kenjivideos", uma referência a Kenki Fujimori, filho do ditador Alberto Fujimori, que aparece no vídeo tentando comprar os votos. 

Desde então, PPK perdeu apoio. Um novo pedido de impeachment foi feito pela oposição no Congresso e políticos que haviam votado a favor do presidente ou se abstiveram na votação anterior manifestaram mudar de lado desta vez. Em uma reunião com o Conselho de Ministros mais cedo nesta quarta, todos os ministros pediram que o presidente deixasse o cargo. A nova votação seria feita na quinta-feira (22).

Ex-banqueiro de Wall Street, PPK também tinha planos de se encontrar com Donald Trump em uma cúpula regional programada para abril. 

*(com agências de notícias)

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