PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Violência e protesto: brasileiros se levantam contra venezuelanos na fronteira de RR

Em Pacaraima, população pede à prefeitura que não transforme em abrigo o ginásio poliesportivo da cidade - Divulgação
Em Pacaraima, população pede à prefeitura que não transforme em abrigo o ginásio poliesportivo da cidade Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

21/03/2018 10h31

Os brasileiros que vivem na fronteira de Roraima com a Venezuela começam a se manifestar contra a presença de venezuelanos no Estado. Fugindo da crise econômica e de um surto de sarampo no país vizinho, os imigrantes que chegam ao Brasil tentam se estabelecer próximos à fronteira, como Mucajaí e Pacaraima, que nos dois últimos dias foram palco de uma marcha pacífica e de um protesto violento contra a presença estrangeira.

Na tarde de segunda (19), cerca de 300 pessoas invadiram um abrigo improvisado em uma escola de Mucajaí e expulsaram as cerca de 50 famílias venezuelanas que viviam ali. Os manifestantes atearam fogo em móveis, roupas e objetos pessoais dos imigrantes.

Depois de expulsarem os venezuelanos da cidade --incluindo mulheres e crianças--, os manifestantes interditaram por duas horas um trecho urbano da BR-174 com barricadas de paus, pedras e pneus queimados.

Leia também:

Um dos líderes do grupo, o pastor João Batista, afirmou ao jornal "O Estado de S. Paulo" que não "aguenta mais a presença" estrangeira. "Há muitos roubos e furtos em nossa cidade", disse.

A razão para a revolta, no entanto, foi a morte do brasileiro Eulis Marinho de Sousa, 49. O homem teria sido morto a pauladas em uma briga de bar envolvendo venezuelanos. A polícia investiga o caso.

Ontem à tarde, o protesto aconteceu em Pacaraima (RR). Pacífica, a manifestação pediu à prefeitura que desista da ideia de transformar o ginásio poliesportivo da cidade em um abrigo para atender venezuelanos.

Protesto na fronteira com a Venezuela - Divulgação - Divulgação
Final do protesto na fronteira com a Venezuela
Imagem: Divulgação
Com a bandeira do Brasil em punho, os 1,5 mil manifestantes, segundo a PM, marcharam por quase duas horas. "Começou em uma quadra da comunidade e foi até a fronteira com a Venezuela", informou ao UOL o plantão policial.

De acordo com a PM, o protesto "não foi contra os venezuelanos", mas contra a utilização do ginásio, "usado para educação física da escola ao lado, atividades esportivas para a comunidade e diversão infantil".

Pacaraima é a principal porta de entrada de venezuelanos no Brasil. Desde que a imigração se intensificou, em 2015, cerca de 32 mil venezuelanos pediram refúgio no país. Estima-se que até 800 estrangeiros atravessem a fronteira todos os dias, e 40% deles ficam em Roraima.

Protesto Pacaraima - Reprodução - Reprodução
Manifestantes usam as cores do Brasil em protesto em Paracaíma
Imagem: Reprodução
Procurada pela “Agência Brasil”, a prefeitura de Mucajaí informou que vai apurar os fatos antes de se manifestar. A Polícia Civil e as secretarias estaduais de Justiça e Cidadania e Segurança Pública não se posicionaram até o momento.

Sarampo

O idioma espanhol falado dentro da Unidade Básica de Saúde de Pacaraima mostra quem são os que mais procuram o atendimento do posto: venezuelanos. A equipe de saúde da cidade tem identificado pacientes com sintomas de sarampo, malária, infecções intestinais, respiratórias, tuberculose, hepatite, doenças sexualmente transmissíveis e um grande número de gestantes, que buscam o pré-natal e o parto no Brasil.

Em entrevista ao UOL, o prefeito da cidade, Juliano Torquato dos Santos (PRB), disse que a demanda nos postos de saúde em alguns dias chega a ser 100% venezuelana. O número de atendimentos mais do que dobrou: se era de cerca de 40 a 50, atualmente chega a 100. "A questão é mais difícil porque a nossa equipe de trabalho ainda é do mesmo tamanho."

"Todos os dias há uma grande fila de gente esperando. Aí o medicamento falta. A gente ainda consegue suprir as necessidades por alguns dias. A gente tinha um custo com a compra de medicamentos que duravam 90 dias. Com este mesmo valor, hoje, tudo o que nós compramos dura 20 ou 30 dias.”

Internacional