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Kremlin diz que não faz "diplomacia via Twitter" após tuítes de Trump sobre Síria

Sergei Ilnitsky/Pool via REUTERS
Vladimir Putin e, ao fundo, o ministro do Exterior russo Sergei Lavrov Imagem: Sergei Ilnitsky/Pool via REUTERS

Do UOL, em São Paulo

11/04/2018 13h21Atualizada em 11/04/2018 15h47

O Kremlin disse nesta quarta-feira que não se envolve em "diplomacia via Twitter", depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou a rede social para advertir a Rússia sobre uma iminente ação militar na Síria, relatou a agência de notícias Interfax.

Segundo a agência, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que cuidados devem ser tomados para não agravar a situação na Síria.

"Nós não participamos de diplomacia via Twitter", disse Peskov, de acordo com a Intefax. "Nós apoiamos abordagens sérias. Nós continuamos a acreditar que é importante não tomar passos que podem prejudicar uma situação já frágil."

Anúncio de ataque a Síria

Nesta quarta, Trump ameaçou a Rússia na rede social com o anúncio de um novo ataque a mísseis na Síria. O ataque seria uma retaliação à acusação de que o governo de Bashar al-Assad, aliado do Kremlin, teria conduzido um ataque químico contra rebeldes em Duma, próximo a Damasco, no último fim de semana.

"A Rússia promete derrubar todos os mísseis disparados contra a Síria. Prepare-se, Rússia, porque eles chegarão, lindos, novos e 'inteligentes'! Não deveriam ser sócios de um animal assassino com gás que mata seu povo e aprecia", escreveu Trump no Twitter.

Na sequência da postagem, Trump disse que as relações entre Rússia e EUA estão em seu "pior momento na história, incluindo durante a Guerra Fria". 

No final de semana, cerca de 500 pessoas foram atendidas em centros médicos com sintomas de exposição a agentes químicos e pelo menos 43 dos mortos apresentavam quadros relacionados com uma exposição a substâncias tóxicas, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Na tarde desta quarta, a primeira-ministra britânica Theresa May disse que o "contínuo uso de armas químicas não pode ficar sem resposta". Durante uma visita em Birmingham, na Inglaterra, a chefe do governo do Reino Unido disse estar trabalhando com os países aliados para compreender "de forma rápida" o que ocorreu na Síria. 

A primeira-ministra se disse "horrorizada, mas não surpresa" com a decisão da Rússia de vetar na terça-feira uma resolução nas Nações Unidas que pretendia criar um grupo para esclarecer as circunstâncias do ataque.

A Rússia garante ter reduzido significativamente sua presença militar e suas operações na Síria desde novembro de 2017, mas conserva várias unidades, sobretudo, nas bases de Tartus e de Hmeimim.

(Com agências internacionais)