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Brasileiros são 'surpreendidos' por G20 e mudam passeios em Buenos Aires

Talita Marchao/UOL
Regina Célia do Amaral e o marido, Alcides, souberam dos problemas de abastecimento por conta do G20 só no hotel: "Nem as toalhas vão ser trocadas" Imagem: Talita Marchao/UOL

Talita Marchao

Do UOL, em Buenos Aires

30/11/2018 12h00

Para os brasileiros que vieram passear por Buenos Aires nesta semana, a cúpula do G20, que começa nesta sexta-feira (30), foi um banho de água fria. Alguns chegaram à capital argentina sabendo do evento e das interdições dentro das áreas mais turísticas da cidade.

Mas uma grande parte descobriu o encontro das maiores economias do mundo somente quando chegou ao país. Teve até quem descobriu o G20 pela reportagem do UOL, aproveitando para pedir informações e dicas do que fazer na cidade.

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Os catarinenses Eduardo Beltramini e Rafael Sgaria: "Só descobrimos sobre o G20 hoje" Imagem: Talita Marchao/UOL

Os catarinenses Eduardo Beltramini, 29, e Rafael Sgaria, 28, observavam as grades ao redor da Casa Rosada sem entender o motivo pelo qual não poderiam fazer a visita à sede do governo argentino, que eles agendaram pela internet para aquela tarde. “Descobrimos hoje que tudo estava fechado, mas só soubemos o motivo contigo”, disse Beltramini.

“No caminho, alguns argentinos nos perguntaram quando pedimos informações: ‘Mas vocês vão para aquela área? Está tudo fechado!’. E a gente não estava entendendo o porquê”, disse Sgaria. “Pensamos que deveria ser tipo polícia fazendo bloqueio. A gente até achou que o pessoal aqui do país estava infeliz com governo, protestando”, contou.

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Sueli viaja com o marido e os filhos e teve de trocar para um hotel mais distante Imagem: Talita Marchao/UOL

A família Moltocaro soube do G20 pelo taxista que os buscou no aeroporto de Ezeiza. “A gente começou a ver muita polícia no caminho. Perguntamos para ele e depois fomos pesquisar. Nossa!”, disse Sueli, 46, que viaja com o marido, Alexandre, 48, e os filhos Guilherme, 16, e Bruna, 11. O pacote do grupo tinha sido comprado há cerca de três meses.

A família ainda teve outra surpresa desagradável --e quase acabou sem ter onde dormir. Tiveram problemas no hotel reservado, que ficava na área do Obelisco (e dentro da área de interdição do G20), e tiveram de achar outro lugar para se hospedar, bem mais distante. “O agente de viagens também não sabia do G20, mas ele nos ajudou a trocar de hotel”, disse Sueli.

Algumas regiões de Buenos Aires foram interditadas com barreiras e militares fortemente armados. Muitas são regiões famosas entre os turistas, como o centro, incluindo a praça de Maio, a avenida 9 de Julho e os bairros de Puerto Madero, Retiro, Recoleta e Costanera Norte. Entre sexta e sábado, o metrô e os trens não funcionarão em toda Buenos Aires e foi decretado feriado para evitar um caos na cidade de quase 3 milhões de pessoas.

Hotel deixa bilhete dizendo que vão faltar coisas

Regina Célia do Amaral, 59, e o marido, Alcides, 64, aproveitavam animados a interdição da avenida Corrientes para fazer uma foto com o Obelisco ao fundo. Os paulistanos também só descobriram que o G20 fecharia grande parte da cidade quando desembarcaram na Argentina. “Chegamos ao quarto na noite de quarta-feira e tinha um bilhete dizendo que nem as toalhas de banho provavelmente serão trocadas”, afirmou Regina.

“Disseram que os serviços do hotel serão afetados porque não tem entrega de mercadorias nos próximos dias”, explicou Alcides. O casal está na cidade pela segunda vez como comemoração do aniversário de Regina e comprou o pacote há quatro meses. “Não sabíamos que o G20 seria um evento dessa grandeza”, disse ela. “Foi uma falha nossa não ter pesquisado antes”, concordou Alcides.

“Curtindo a cidade como dá”

Os paulistanos Luciane Dib, 49, e o marido, Sérgio, 53, já sabiam há um mês que o G20 coincidiria com a viagem do casal. “Mas não dava para cancelar. O hotel foi reservado sem possibilidade de mudança e a gente pagaria uma taxa para cancelar o voo que é mais cara do que a própria passagem”, explicou Luciane. “Viemos já pensando de ver o que dá para conhecer nestes dias. Estamos curtindo a cidade como dá.”

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Bárbara Fontes e Diogo Parreira: “Quando compramos as passagens, a gente não tinha noção de nada” Imagem: Talita Marchao/UOL

O casal carioca Bárbara Fontes, 27, e Diogo Parreira, 32, soube na semana passada que o evento traria problemas para o passeio. “Quando compramos as passagens, há dois meses, a gente não tinha noção de nada”, disse Bárbara. “A nossa sorte foi que dividimos os dias por bairros. Até que deu para conhecer o centro hoje.”

"A impressão que dá é que também estão perdidos"

Todos os entrevistados relataram uma mesma coisa: os hotéis portenhos não deram qualquer aviso de que as reservas eram feitas para o período do G20. Tampouco ajudaram com informações sobre como circular nos próximos dias pela cidade interditada.

“Pegamos um hotel bem aqui no Obelisco para ficar perto de tudo. Quem nos deu dicas foi uma pessoa da agência em que fomos trocar dinheiro, porque no hotel não nos falam nada. A moça nos disse para andar sempre com passaporte ou RG e evitar mochilas, já que podemos ser parados e revistados”, diz Regina. “A impressão que dá é a de que eles também estão perdidos. Ontem, no restaurante, perguntamos se tudo ficaria fechado e o funcionário nos respondeu: ‘Olha, nem a gente sabe’.”

“Estamos hospedados dentro da dessa área restrita. As informações que tenho é porque conhecemos algumas pessoas no Facebook e no Instagram. Do contrário, não teríamos informação nenhuma”, relata Luciane.

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Os paulistanos Luciane Dib e o marido, Sérgio, não conseguiam cancelar a viagem Imagem: Talita Marchao/UOL

Ainda assim, os turistas brasileiros não desanimaram. Resolveram conhecer os bairros de Palermo e La Boca, que ficam fora das áreas de interdição do G20, até o evento acabar. Mas tudo de improviso. “A gente vai fazer a pé o que não der para fazer de táxi. E o que não der para conhecer, a gente vê na próxima vez”, conta Luciane, já planejando a volta.

“Primeiro disseram que até o show de tango seria cancelado, mas agora remarcaram para o sábado”, diz Alcides. “Vamos atrás das melhores empanadas fora dessa zona vermelha”, brinca Regina.