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Trump expõe novo plano para construir muro e acabar com paralisação nos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso na Casa Branca neste sábado - Brendan Smialowski/AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso na Casa Branca neste sábado Imagem: Brendan Smialowski/AFP

Do UOL, em São Paulo

19/01/2019 19h24Atualizada em 20/01/2019 15h42

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (19) uma proposta de acordo para encerrar a paralisação parcial do governo que já dura 29 dias. Trump manteve a exigência de financiamento para a construção de um muro na fronteira com o México, mas disse que daria maior apoio aos imigrantes no país.

Ele também afirmou que o muro, que deve custar US$ 5,7 bilhões (cerca de R$ 21,4 bilhões), não seria uma estrutura contínua cobrindo toda a fronteira com o México, mas uma série de barreiras dispostas em pontos estratégicos da fronteira.

O pacote de medidas na área de imigração foi visto com ceticismo por opositores do partido Democrata, que afirmaram mesmo antes do pronunciamento de Trump que não aceitariam o acordo.

Desde 22 de dezembro, 25% do governo federal está paralisado devido ao impasse entre Trump e o Partido Democrata. O presidente exige que o orçamento para financiar o Executivo inclua US$ 5,7 bilhões para a construção do muro na fronteira com o México, mas a oposição se nega a destinar os recursos para a obra.

Em um discurso na Casa Branca neste sábado, Trump afirmou que continua exigindo a verba para financiar o muro, uma de suas principais promessas na campanha presidencial. Em contrapartida, disse que vai estender por mais três anos uma legislação que protege jovens imigrantes ilegais conhecidos como "dreamers", e pessoas cujo status de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês) esteja para terminar.

Pelo plano apresentado, os jovens que entraram ilegalmente nos EUA --cerca de 700 mil, segundo Trump-- terão três anos para permanecerem no país. Nesse período, poderão trabalhar e terão proteção contra deportação, mas não poderão pedir cidadania americana.

No caso das pessoas com proteção temporária próxima do fim, haveria prorrogação da permanência no país também por mais três anos. Aproximadamente 300 mil pessoas estão nessa condição, disse Trump.

Ajuda humanitária e detecção de drogas

Além da extensão dos programas de ajuda a imigrantes, Trump afirmou que a proposta vai destinar US$ 800 milhões (R$ 3 bilhões) para ajuda humanitária urgente. Outros US$ 805 milhões (R$ 3,02 bilhões) iriam para financiar tecnologias de detecção de drogas nas fronteiras do país. O presidente dos EUA mencionou também aumento de 2.750 de guardas na fronteira com o México e mais 75 equipes de juízes de imigração para lidar com uma fila de cerca de 900 mil casos.

"Se tivermos sucesso nesse esforço, poderemos ter mais tempo para fazer uma reforma na imigração. Não vai parar por aqui", afirmou Trump.

Ele também afirmou que vai revolver a crise da imigração "de um jeito ou de outro" e disse que não vai deixar a questão das fronteiras dos Estados Unidos nas mãos dos "radicais de esquerda".

Para que a paralisação termine, o Congresso norte-americano, de maioria democrata, precisa aprovar a proposta de Orçamento do governo para este ano.

Proposta desagrada democratas

A proposta de Trump, no entanto, não agradou os representantes democratas. A líder do partido, Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados, afirmou que o plano do presidente dos EUA é "inaceitável". Segundo ela, a proposta é uma compilação de medidas rejeitadas e não representam boa-fé no esforço de restaurar a ordem no país.

"Essa proposta não inclui uma solução permanente para os 'dreamers' e para os que estão em proteção temporária", afirmou.

O senador democrata Dick Durbin também se manifestou e disse que não apoiará a proposta de Trump para terminar com a paralisação. "Estou disposto a sentar e negociar as questões não resolvidas depois que o governo estiver aberto e funcionando", declarou.

800 mil servidores estão sem receber

A paralisação do governo norte-americano, que já é a maior da história no país, afeta órgãos de dez departamentos do governo, incluindo Transporte e Justiça e dezenas de parques nacionais. Cerca de 800 mil dos 2,1 milhões servidores federais estão sem receber salários há quase um mês.

Trump rechaçou todas as propostas apresentadas a ele para encerrar a paralisação, inclusive sugestões feitas por membros do próprio Partido Republicano.

(Com agências internacionais)

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