PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Em Israel, Bolsonaro assinará acordos de cibersegurança, defesa e aviação

Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente Jair Bolsonaro durante evento em sinagoga em Copacabana antes da posse do brasileiro, em dezembro - Leo Correa/AFP
Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente Jair Bolsonaro durante evento em sinagoga em Copacabana antes da posse do brasileiro, em dezembro Imagem: Leo Correa/AFP

Talita Marchao e Luciana Amaral

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

28/03/2019 04h00Atualizada em 28/03/2019 12h12

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) desembarca em Israel no domingo para retribuir a visita feita pelo premiê israelense, Benjamin Netanyahu, durante a sua posse, em janeiro. Pessoas que estão organizando a viagem confirmam que os dois países assinarão acordos de cooperação nos setores de defesa, cibersegurança, aviação, agricultura, segurança, saúde pública e energia.

A agenda de Bolsonaro ainda não foi divulgada oficialmente, mas, segundo o UOL apurou, ele deve acompanhar exercícios militares das forças de segurança israelenses.

Integrarão a comitiva brasileira os ministros Ernesto Araújo, de Relações Exteriores; Marcos Pontes, de Ciência e Tecnologia; general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional; general Fernando Azevedo e Silva, da Defesa; e almirante Bento de Albuquerque, de Minas e Energia. Na lista, aparece também o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.

Imersos no desgaste da relação entre o Executivo e o Legislativo, os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Justiça, Sergio Moro, que acompanharam Bolsonaro na viagem aos EUA, não participarão desta vez da visita.

Outros congressistas, no entanto, vão deixar de lado a crise para viajar. Os filhos de Bolsonaro, Eduardo, deputado federal e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, e o senador Flávio, o acompanharão.

Bolsonaro embarca no sábado (30) e retorna ao Brasil no dia 3 de abril. Bem nesse dia, Guedes deve ir à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara para uma audiência pública para explicar a reforma da Previdência.

Encontro com empresários

O presidente se reúne com Netanyahu no domingo, quando também será oferecido um jantar pelo premiê de Israel. Na terça-feira, será realizado um evento conjunto entre empresários de Brasil e Israel com a presença de Bolsonaro e Netanyahu, com enfoque em inovação e tecnologia. O evento é organizado pela Apex (Agência de Promoção das Exportações do Brasil) e pelo Instituto de Exportação de Israel.

28.dez.2018 - Benjamin Netanyahu e Jair Bolsonaro se cumprimentam no Rio de Janeiro - Fernando Frazao/Agência Brasil - Fernando Frazao/Agência Brasil
28.dez.2018 - Benjamin Netanyahu e Jair Bolsonaro se cumprimentam no Rio de Janeiro
Imagem: Fernando Frazao/Agência Brasil

Segundo a Apex, Bolsonaro vai acompanhado de mais de 30 empresas brasileiras, a maior parte delas ligadas aos setores de construção civil, alimentos e bebidas, saúde, defesa e pescado. Serão realizadas ainda rodadas de negócios entre empresas brasileiras e compradores israelenses, além de promover a aproximação de empresas brasileiras aptas a fazer parcerias para a realização de joint ventures com israelenses em território brasileiro. O evento de terça lançará um ainda um programa de atração de start-ups, o Scaleup in Brazil.

A visita do presidente brasileiro ocorre dias antes de Netanyahu disputar a reeleição --a votação em Israel ocorre no dia 9 de abril. As pessoas ouvidas pela reportagem dizem que, mesmo se Netanyahu não se mantiver no cargo, os acordos assinados serão mantidos, por serem de interesse do país.

Mudança da embaixada

Oficialmente, autoridades brasileiras afirmam que a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém "está em estudo". Quando Netanyahu se reuniu com Bolsonaro antes da posse, o premiê afirmou a jornalistas que Bolsonaro tinha dito que mudança "não era uma questão de 'se', mas de 'quando'" seria realizada. Os entrevistados pelo UOL, sob condição de anonimato, apenas disseram que essa é uma questão a ser tratada com o Palácio do Planalto.

A avaliação de pessoas ligadas ao processo é a de que não seria surpresa se a mudança não fosse efetivamente anunciada durante a viagem. Segundo eles, a prioridade da visita, reforçada inclusive pelo perfil da comitiva que acompanha Bolsonaro, é de reforço dos laços econômicos, com parcerias para o futuro.

Hoje, Bolsonaro afirmou que o Brasil deve abrir um escritório de negócios em Jerusalém, dando sinais de que o anúncio de uma eventual mudança da embaixada não deve sair durante a viagem. "A questão de Israel, quem define as questões de Estado é o Estado de Israel e ponto final. [Donald] Trump levou nove meses para decidir, dar a palavra final para que a embaixada fosse [transferida]. Nós talvez abramos agora um escritório de negócios em Jerusalém", afirmou o presidente.

Ontem, em audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, o chanceler Ernesto Araújo justificou a mudança da posição brasileira em relação à Israel --na semana passada, o Brasil votou pela primeira vez contra os palestinos na ONU (Organização das Nações Unidas), em apoio aos israelenses.

Segundo o ministro, "muito da discussão que tem havido em relação à nossa determinação de elevar o perfil do relacionamento com Israel e as críticas têm a ver com uma visão completamente ultrapassada do Oriente Médio, de quem vê a região como um terreno de rivalidade entre Israel e os países árabes. Esta é uma realidade que está superada, em grande medida. Hoje os desafios no Oriente Médio são diferentes, e nossa atuação tem que ser diferente".

Além da votação na ONU, Brasil e Israel vem tentando aproximar os laços desde a posse de Bolsonaro. Durante o desastre em Brumadinho, Israel enviou 136 militares e 16 toneladas de equipamentos. O grupo passou poucos dias no país, trabalhando nas buscas por corpos das vítimas do mar de lama que atingiu a região após o rompimento de uma barragem da Vale.

Internacional