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Governo Maduro cassa direitos políticos do opositor Guaidó por 15 anos

O líder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente, Juan Guaidó - RAUL ARBOLEDA/AFP
O líder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente, Juan Guaidó Imagem: RAUL ARBOLEDA/AFP

Pedro Graminha

Do UOL, em São Paulo

28/03/2019 15h42

Resumo da notícia

  • Governo Maduro proibiu Guaidó, autodeclarado presidente interino da Venezuela, de exercer funções políticas
  • Medida é fruto de investigação sobre gastos de Guaidó, que seriam incompatíveis com seu salário
  • Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como presidente da Venezuela, acusa Maduro de retaliação
  • No passado, regime Maduro já havia cassado os direitos políticos de 2 opositores
  • Ainda não se sabe qual efeito da decisão na prática, já que Guaidó não reconhece o governo Maduro

Juan Guaidó, o autodeclarado presidente interino da Venezuela, teve seus direitos políticos cassados hoje (28) e não poderá ocupar cargos públicos por 15 anos, informou o controlador-geral da Venezuela, Elvis Amoroso, leal ao regime de Nicolás Maduro.

Segundo Amoroso, a decisão não foi motivada pelo cenário político do país, mas por suspeitas quanto a incompatibilidade de gastos de Guaidó e seu salário como presidente da Assembleia Nacional da Venezuela.

"Guaidó realizou 91 viagens ao exterior sem autorização da Assembleia Nacional por um valor de 570 milhões de bolívares que não podem ser justificados com seu salário de servidor público", declarou.

A auditoria teria sido iniciada no dia 11 de fevereiro e investigou os hotéis no qual o opositor teria se hospedado para averiguar quem pagou as "luxuosas acomodações".

Guaidó se declarou presidente da Venezuela em 23 de janeiro com base em artigos da Constituição venezuelana que dizem que cabe ao líder do legislativo assumir na falta do presidente. Para os opositores, a última eleição que deu vitória a Maduro foi fraudada.

Guaidó foi reconhecido como líder legítimo por mais de 50 países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos.

Guaidó se manifestou e declarou a ação como perigosa.

"O perigo é que continuem atacando pessoalmente a presidência encarregada porque não conseguiram digerir isso tudo", disse Guaidó, segundo a rede de televisão CNN.

Ainda não está claro o que a cassação significará na prática, uma vez que Guaidó não reconhece o governo de Nicolás Maduro - que, por sua vez, agora deixa de reconhecer Guaidó.

Opositores cassados

A controladoria-geral da Venezuela já havia cassado direitos políticos de outros notórios opositores de Nicolas Maduro. Em 2017, Henrique Capriles, um dos principais nomes na disputa eleitoral de 2018, na qual Maduro se reelegeu, teve seus direitos políticos cassados antes do pleito e não pode se candidatar.

Assim como ele, Leopoldo López, outro nome da oposição, foi impedido de candidatar-se por Hugo Chávez em 2008, acusado de participação em um golpe de estado contra o então presidente em 2002. Mais tarde, em 2014, López foi preso por incitação à violência em protestos contra Maduro e hoje cumpre regime domiciliar.

Para a oposição, as medidas reforçam o caráter ditatorial de Nicolás Maduro e do regime chavista.

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