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Mourão nos EUA: 3 momentos em que vice de Bolsonaro foi a vitrine do Brasil

Vice-presidente Hamilton Mourão em evento no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel/AFP
Vice-presidente Hamilton Mourão em evento no Rio de Janeiro Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

06/04/2019 04h00Atualizada em 06/04/2019 22h56

O vice-presidente Hamilton Mourão inicia hoje sua agenda oficial nos Estados Unidos. Ele chegou ao país no começo da noite de ontem e, durante sua viagem, deve se reunir com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, com imigrantes brasileiros em Boston e dar palestra na Universidade Harvard sobre os 100 primeiros dias do governo brasileiro.

Em Boston, o general deve se encontrar com o professor de Harvard Roberto Mangabeira Unger --o filósofo da esquerda é ex-ministro dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), além de ser próximo de Ciro Gomes (PDT).

Em seguida, Mourão tem uma reunião com outro professor de Harvard, Frank McCann, especialista em relações militares entre Brasil e EUA. Ele também vai se encontrar com o empresário Jorge Paulo Lemann e a vice-presidente do Nubank, Cristina Junqueira.

Mourão fará no domingo a palestra "Diálogo: os primeiros 100 dias" em Harvard a uma plateia formada por alunos da universidade e demais interessados --o evento deve se transmitido na internet pela universidade. O encontro com Mike Pence acontece na tarde de segunda-feira em Washington. Esta será a segunda vez que eles se encontram: ambos participaram de uma reunião em Bogotá para debater a crise venezuelana.

O vice-presidente brasileiro vai aos EUA três semanas depois da visita oficial de Bolsonaro, que foi recebido por Donald Trump.

O UOL selecionou alguns eventos durante os primeiros meses do governo em que Mourão virou a vitrine do Brasil para o exterior:

Reuniões com 24 embaixadores

Desde que assumiu a vice-Presidência, Mourão recebeu ao menos 24 embaixadores --segundo a agenda oficial do Planalto. Entre os diplomatas, aparecem representantes de países como Alemanha, Chile, Canadá, França. O embaixador palestino, Ibrahim Albezen, foi recebido por Mourão enquanto Bolsonaro estava internado, em janeiro. Além disso, Mourão já relatou ter conversado, por exemplo, com o embaixador da China, Yang Wanming --ele deve visitar o país em maio, com escalas em países europeus. Ele recebeu ainda o autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, e o presidente da Argentina, Mauricio Macri.

No dia seguinte à posse, Mourão recebeu o Ji Bingxuan, vice-presidente do Parlamento Chinês.

Para efeito de comparação, o chanceler Ernesto Araújo recebeu no Itamaraty sete embaixadores, além de outros representantes de governos estrangeiros, como ministros e representantes de entidades internacionais.

Reunião no Grupo de Lima

O Brasil enviou Mourão e Araújo para a reunião do Grupo de Lima, que reúne países do continente americano em busca de uma solução para a crise venezuelana --o grupo reconhece a presidência de Guaidó, e não a de Nicolás Maduro. A decisão de enviar Mourão foi anunciada depois que os EUA, que participaram como observadores do encontro em Bogotá, na Colômbia, decidiram mandar justamente Mike Pence para a mesa de debates. Até então, apenas Araújo --visto como uma figura de alinhamento mais ideológico dentro do governo-- participava das reuniões.

Envio do vice-presidente Hamilton Mourão para a reunião do Grupo de Lima é vista por especialistas como um sinal de moderação do Brasil - MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DA COLÔMBIA
Envio do vice-presidente Hamilton Mourão para a reunião do Grupo de Lima é vista por especialistas como um sinal de moderação do Brasil
Imagem: MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DA COLÔMBIA

Em discurso na reunião, Pence agradeceu Mourão nominalmente: "Com você, vi em primeira mão em Manaus o povo brasileiro mostrando uma grande compaixão em ajudar o povo venezuelano. E essa compaixão estava clara mais uma vez nesse final de semana em meio a trágicos acontecimentos diante dos olhos do mundo. Agradecemos por isso".

Na ocasião, Mourão se reuniu com os presidentes Iván Duque, da Colômbia, Jimmy Morales, da Guatemala, Isabel Saint Malo, do Panamá, e com o próprio Pence. O vice-presidente foi adido militar da embaixada do Brasil em Caracas entre 2002 e 2004, durante o governo Lula. Ele é contra a intervenção militar em território venezuelano.

Mais entrevistas do que Bolsonaro

Desde que assumiu o cargo, Mourão deu mais entrevistas --nacionais e internacionais-- do que o presidente. Bolsonaro falou com a Bloomberg, na Suíça, e a Fox News, nos EUA. Seu vice atendeu veículos como a revista britânica "The Economist", o jornal americano "The Wall Street Journal" e o espanhol "El País". Entre as TVs estrangeiras, Mourão falou com a portuguesa RTP e a Al Jazeera, do Catar. O vice-presidente ainda fala inglês e espanhol fluentemente, e suas entrevistas internacionais costumam ser feitas em um dos dois idiomas.

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