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Brasil não consegue incluir "ditadura" em termo do Mercosul sobre Maduro

17.jul.2019 - O presidente Jair Bolsonaro ao lado de outros presidentes em Cúpula do Mercosul, na Argentina - Xinhua/Luis Cetraro/TELAM
17.jul.2019 - O presidente Jair Bolsonaro ao lado de outros presidentes em Cúpula do Mercosul, na Argentina Imagem: Xinhua/Luis Cetraro/TELAM

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

20/07/2019 04h01

O governo brasileiro não conseguiu incluir a palavra "ditadura" para identificar o governo de Nicolás Maduro no documento emitido ao fim da Cúpula do Mercosul, realizada em Santa Fé, na Argentina, nesta semana.

A referência foi retirada para atenuar o comunicado condenando a crise humanitária no país caribenho e foi uma condição do Uruguai para assinar a declaração.

Diferentemente do Brasil e dos países integrantes do Grupo de Lima (criado para lidar com a crise venezuelana), o governo uruguaio não reconhece o deputado opositor Juan Guaidó como presidente da Venezuela.

O Brasil, além de condenar publicamente Maduro, deu as credenciais diplomáticas a Maria Teresa Belandria,embaixadora no Brasil, indicada pelo opositor,.

Fontes do Itamaraty destacam que, apesar de ter assinado documento que não qualifica o regime de Maduro de "ditadura", a posição do Brasil não mudou.

Guaidó não foi mencionado no documento

A declaração também não cita Guaidó como presidente e diz que os países do Mercosul concordam "que a comunidade internacional deve continuar contribuindo, por todos os meios pacíficos a seu alcance, para buscar um rápido retorno da institucionalidade democrática àquele país".

O documento cita ainda que todos, incluindo o Uruguai, reconhecem "a severa deterioração das condições de vida do povo venezuelano e a necessidade de continuar coordenando esforços a fim de dar respostas integrais para atender a crise migratória, humanitária e social".

O presidente da Bolívia, Evo Morales, foi o único entre os chefes de Estado presentes a não assinar o documento --ele é apoiador do chavismo desde os tempos de Hugo Chávez e endossa o mandato de Maduro.

Em seu discurso na Cúpula do Mercosul, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que "não há lugar entre nós para regimes autoritários. Não podemos permitir que o que está acontecendo na Venezuela se repita em nenhum país da nossa região".

O argentino Mauricio Macri também foi enfático em sua crítica a Maduro, dizendo que reconhece Guaidó como "única autoridade legítima na Venezuela".

A Venezuela aderiu ao Mercosul em 2012 e está suspensa desde 2016. A punição está prevista no Protocolo de Ushuaia, que trata dos compromissos democráticos a serem seguidos pelos membros do bloco.

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