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Internacional

Manifestantes tentam invadir Congresso do Chile; edifício é evacuado

Marcelo Oliveira*

Do UOL, em São Paulo

25/10/2019 15h22

No início da tarde de hoje, manifestantes tentaram invadir a Câmara dos Deputados, que, junto com o Senado, compõe o Congresso Nacional chileno, localizado na cidade de Valparaíso, mas foram detidos por Carabineros, a polícia chilena, com bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água. O edifício teve que ser evacuado, e as atividades legislativas foram suspensas.

Hoje é o oitavo dia de protestos no país. Já são 19 mortes registradas, com 2.840 pessoas detidas e 295 feridas por armas de fogo. Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e atualmente alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, disse que enviará, na próxima segunda-feira (28), uma missão de verificação para acompanhar os conflitos no país e examinar denúncias de violações dos direitos humanos.

Pauta social

Nesta quinta-feira (24), a Câmara havia acordado realizar uma série de sessões especiais frente à crise. Ontem havia votado a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e, nesta sexta, por exemplo, estava reunida a Comissão de Trabalho e Seguridade Social para debater o projeto do governo chileno para melhoria do sistema de pensões e de capitalização individual, que compõem a Previdência Social local.

Outra medida que estava prevista para ser votada nos próximos dias é a lei que prevê que as concessionárias de energia assumam os custos de retirada e instalação de medidores de luz.

Há uma hora, o presidente da Câmara, Iván Flores Garcia, fez um apelo ao presidente Piñera em uma entrevista à Tele13Radio: "por favor, reaja, busque com quem conversar. Todos sabemos que a situação atual não é pelos 30 pesos (valor do aumento do Metrô), mas sim pela raiva acumulada". A declaração foi postada pela rádio e retuitada pelo deputado, após a tentativa de invasão da Câmara dos Deputados.

Manifestações

As manifestações começaram na semana passada, com o anúncio do aumento das passagens do metrô. Mesmo depois de o presidente Sebastián Piñera ter voltado atrás e cancelado o aumento, os protestos continuaram. Neste momento, em Santiago, há mais de 820 mil pessoas concentradas na praça Itália, epicentro dos protestos.

Apesar de as manifestações terem origem no aumento das passagens de Metrô, as pessoas que estão na rua reclamam do alto custo de vida, dos altos preços e taxas cobradas por concessionárias de serviços públicos, das aposentadorias abaixo do salário mínimo e do sistema de saúde e educação, que não é acessível a todos.

Os protestos são de várias categorias. Há reivindicações de estudantes, pensionistas e hoje caminhoneiros aderiram às manifestações.

Rico e desigual

Excetuando as nações caribenhas, o Chile é o país mais desenvolvido da América Latina (ocupa a 42ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, seguido na região por Uruguai, Panamá, Costa Rica, México e Brasil), porém é o quarto país mais desigual da região, segundo a Cepal (Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe).

Pacote

O presidente Sebastián Piñera anunciou um pacote de medidas para tentar acalmar os ânimos e conter as manifestações, mas não foi suficiente. Os protestos continuaram. A população argumenta que nenhuma das medidas anunciadas terá aplicação imediata e que são iniciativas que ainda terão de passar pelo Congresso.

*Com Agência Brasil

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