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A sauditas, Bolsonaro exalta reformas e recursos naturais do Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) em fórum de investidores na Arábia Saudita,  - Hamad I Mohammed/Reuters
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) em fórum de investidores na Arábia Saudita, Imagem: Hamad I Mohammed/Reuters

Luciana Amaral

Do UOL, em Riad, na Arábia Saudita

30/10/2019 05h56Atualizada em 30/10/2019 09h14

Em fórum de investidores na Arábia Saudita, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) exaltou reformas promovidas pelo governo, como a da Previdência Social, e os recursos naturais do Brasil, como grandes áreas plantáveis e minerais.

Em discurso enfático de cerca de 20 minutos, Bolsonaro lembrou a aprovação da reforma da Previdência e disse que o governo está empenhado em passar as reformas administrativa e tributária no Congresso Nacional para melhorar o ambiente de negócios no país.

Para ele, o Brasil "está dando certo" e quem investir no país terá garantia jurídica de que os contratos serão respeitados. Como costuma dizer, reafirmou que ser empresário no Brasil é difícil devido à burocracia e a taxações existentes.

Além de ressaltar medidas do governo federal, Bolsonaro lembrou do potencial dos recursos naturais brasileiros. Como exemplo, citou as grandes áreas disponíveis para a agropecuária, o know-how do país no setor e as riquezas minerais, como o nióbio e o grafite.

Bolsonaro começou o discurso afirmando estar honrado por ter sido muito bem recebido na Arábia Saudita e se dado tão bem com o príncipe herdeiro do país, Mohammed bin Salman. O presidente disse, por duas vezes ao longo da fala, ter se sentido como "conhecidos de muito tempo" e até "quase irmão" do príncipe.

O príncipe é quem governa, na prática, a Arábia Saudita e busca promover uma abertura maior do país, tanto comercialmente quanto culturalmente. Porém, ele também é criticado pelo suposto desrespeito aos direitos humanos.

O presidente reforçou o potencial turístico, mas disse faltar ao Brasil conectividade e infraestrutura. No discurso, mencionou a região de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, que já disse querer transformar na "Cancún brasileira", em referência ao balneário mexicano.

A intenção do governo é que parte dos US$ 10 bilhões em investimentos sauditas anunciados ontem seja aplicado na área do litoral fluminense. Segundo Bolsonaro, bin Salman se mostrou "muito interessado".

Em relação à segurança alimentar, o presidente exaltou a capacidade de o Brasil produzir mais sem ter de ocupar novas terras, necessariamente, e a competitividade no abate de animais para consumo.

Mais uma vez, citou a falta de infraestrutura em algumas partes do país para o escoamento de grãos e a melhoria da qualidade de vida como oportunidades para investidores do Oriente Médio, chegando a citar uma possível saída para o Oceano Pacífico.

No tocante populacional, lembrou que o Brasil conta com relevante número de árabes e descendentes, além de ter povo "ordeiro, pacífico e alegre". Em crítica a governos anteriores, disse que lhe faltava "comando, governo e políticos sérios".

"O povo brasileiro confia no presidente Jair Bolsonaro e posso dizer que estou fazendo a coisa certa. Que os meus ministros prestam contas a mim. Apesar dos poucos recursos para investimentos que temos, são aplicados de forma correta, de forma respeitosa", disse.

Bolsonaro citou de forma rápida haver distúrbios no Chile e, de forma mais grave, na Venezuela. Em seguida, elogiou a democracia e o parlamento, com ressalvas a um eventual regime socialista. A Arábia Saudita é uma monarquia ultraconservadora.

Bolsonaro discursou em sessão do Future Investment Initiative, promovido pelo fundo soberano saudita em Riad, capital do país do Oriente Médio. O evento também é propagandeado como a "Davos do Deserto", em referência à cidade suíça que abriga o Fórum Econômico Mundial.

Ao retornar para o hotel em Riad onde está hospedado, Bolsonaro afirmou que o discurso foi fundamentado em dados, números, e a plateia ficou empolgada com as oportunidades apresentadas. Para ele, o Brasil deve continuar a trabalhar na segurança alimentar com exportações agropecuárias a países do Oriente Médio, uma vez que muitos não têm como prover internamente toda a comida consumida.

O presidente almoça com o rei da Arábia Saudita, Salman Bin Abdulaziz Al Saud, e assina atos internacionais. Os documentos a serem firmados ainda não foram divulgados pelo governo federal.

À tarde, Bolsonaro abre um seminário empresarial sobre o Brasil no Conselho das Câmaras Sauditas. Após o compromisso, embarca de volta ao Brasil. A previsão é que a comitiva chegue a Brasília no início da manhã de quinta-feira (31).

Bolsonaro, alguns ministros e assessores embarcaram rumo ao giro que passou também por Japão, China, Emirados Árabes Unidos e Qatar em 19 de outubro.

Ontem à noite, os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) afirmaram que Fundo de Investimento Público saudita (PIF) investirá US$ 10 bilhões no Brasil. Prazo e destino não foram informados, mas a tendência é que o aporte vá para projetos de infraestrutura e agronegócio.

Bolsonaro faz live de madrugada para rebater matéria

Na madrugada de Riad, seis horas à frente do horário de Brasília, Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo para se defender de uma reportagem da TV Globo. A matéria relata que o porteiro do condomínio mantém residência no Rio de Janeiro afirmou que o suspeito de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) pediu para ir à casa do presidente no dia do crime.

O porteiro do condomínio onde morava Bolsonaro à época disse em depoimento que alguém com a voz dele autorizou a entrada de um dos suspeitos da morte da vereadora no dia do crime. Bolsonaro, no entanto, neste dia estava na Câmara dos Deputados, segundo registro de presença da Casa consultado pela reportagem da Globo.

Minutos após a divulgação da matéria no Brasil, Bolsonaro fez a transmissão. Ele mostrou grande indignação com o conteúdo da reportagem, atacou a imprensa e disse que está disponível para ser ouvido no processo.

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