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Após renúncia de Morales, políticos de esquerda falam em golpe na Bolívia

Do UOL, no Rio

10/11/2019 18h12Atualizada em 10/11/2019 20h02

Resumo da notícia

  • Políticos brasileiros de esquerda usaram as redes sociais para denunciar a realização de um golpe de Estado na Bolívia
  • Para os parlamentares, uma articulação das Forças Armadas com políticos de direita levou Evo Morales a renunciar

Após o presidente da Bolívia, Evo Morales, renunciar ao cargo diante de pressões das Forças Armadas, políticos brasileiros de esquerda usaram as redes sociais para denunciar o que classificam como um golpe no país vizinho. Após três semanas de manifestações, Morales havia anunciado na manhã de hoje novas eleições, mas a cúpula militar do país pediu que ele deixasse o cargo.

O comandante-chefe das Forças Armadas e da Polícia da Bolívia, general Williams Kaliman, pediu em pronunciamento a renúncia de Evo Morales. Pouco depois, o presidente boliviano renunciou ao cargo e deixou a capital La Paz no avião presidencial, rumo a destino ainda incerto.

Morales vinha enfrentando uma onda de manifestações contra seu governo há três semanas, desde que foi declarado vencedor em mais uma eleição presidencial. Uma auditoria da OEA (Organização dos Estados Americanos) divulgada hoje apontou indícios de irregularidade no pleito e agravou a situação do governo. Morales chegou a anunciar a convocação de novas eleições, mas o candidato de oposição, Carlos Mesa, defendeu que ele não participasse de uma nova disputa.

Pelo Twitter, o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva atacou o "golpe de estado" contra Evo e criticou a elite econômica da América Latina. "Acabo de saber que houve um golpe de estado na Bolívia e que o companheiro Evo Morales foi obrigado a renunciar. É lamentável que a América Latina tenha uma elite econômica que não saiba conviver com a democracia e com a inclusão social dos mais pobres", disse o petista.

Também na rede social, o ex-prefeito de São Paulo e candidato derrotado do PT à presidência em 2018, Fernando Haddad, cobrou explicações da OEA dizendo que a organização "abriu caminho para o golpe na Bolívia. Podia se manifestar sobre o que acha dos últimos acontecimentos."

Ao UOL, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do partido na Câmara, disse ver a situação na Bolívia com preocupação, embora não esteja de posse de todas as informações sobre o caso. "A eleição teve um resultado reconhecido pela Justiça Eleitoral", afirmou ele, na tarde deste domingo (10). "Isso abre um precedente", continuou. "O Evo acenou com novas eleições, mas parece que a direita não quer." Pimenta defende que Evo Morales dispute novamente. "Ele não tem porque não concorrer."

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) disse que a Bolívia "pode estar caminhando para um horizonte horrível que já vimos na História", em referência aos golpes militares realizados na América Latina nas décadas de 1960 e 1970.

Parlamentar do PSOL, Talíria Petrone (RJ) também usou a palavra "golpe" para descrever o processo boliviano. Segundo ela, a movimentação ocorrida hoje no páis "tem cheiro de intervenção imperialista".

Também do PSOL, o deputado federal Ivan Valente (SP) afirmou que as Forças Armadas "lançaram uma ameaça pública" contra Evo Morales.

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