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Em declaração, Brics propõem mudanças em ONU e OMC e criticam FMI

Presidentes Jair Bolsonaro, Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), antes da reunião dos Brics no Itamaraty, em Brasília - Ueslei Marcelino/Reuters
Presidentes Jair Bolsonaro, Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul), antes da reunião dos Brics no Itamaraty, em Brasília Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

14/11/2019 14h48

Resumo da notícia

  • Em documento da 11ª cúpula dos Brics, países-membros defenderam mudanças em ONU, FMI e OMC
  • Pedem ainda reforma no Conselho de Segurança da ONU, sem citar diretamente a inclusão do Brasil
  • Brics se declararam desapontados com a redivisão de cotas do FMI
  • Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul defenderam também uma OMC mais forte

Na "Declaração de Brasília", documento publicado hoje como fruto da 11ª Cúpula dos Brics, realizada na capital brasileira, os líderes das cinco maiores nações em desenvolvimento do mundo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) fizeram uma forte defesa do multilateralismo e defenderam a "necessidade urgente de fortalecer e reformar a ONU (Organização das Nações Unidas), a OMC (Organização Mundial do Comércio) e o FMI (Fundo Monetário Internacional)".

No documento, os Brics pedem uma "reforma abrangente das Nações Unidas, incluindo seu Conselho de Segurança, com vistas a torná-lo mais representativo, eficaz e eficiente".

Sem pedir diretamente a inclusão de Brasil no conselho (reivindicação do país no cenário internacional desde o governo de Fernando Henrique Cardoso), o documento cita que "China e Rússia reiteraram a importância que conferem ao status e ao papel de Brasil, Índia e África do Sul nas relações internacionais e apoiam sua aspiração de desempenharem papéis mais relevantes na ONU".

Críticas ao FMI

O documento sobe o tom em relação ao Fundo Monetário Internacional. Os Brics se revelam "profundamente desapontados com a 15ª Revisão Geral de Quotas que fracassou em aumentar o tamanho das cotas do fundo", o que não favoreceu os mercados emergentes e economias dinâmicas, nas quais se incluem os países que compõem o bloco. A carta avalia que estes países "continuam sub-representados no Fundo".

Os Brics anunciaram apoiar também "a proteção da voz e representação dos membros mais pobres" do fundo.

OMC para preservar comércio multilateral

Segundo o documento publicado pelos Brics, a Organização Mundial do Comércio deve estar no centro de um processo de "preservação e o fortalecimento do sistema comercial multilateral". O documento coloca-se contra medidas protecionistas e unilaterais, "contrárias ao espírito e às regras da OMC", afirma o texto.

A declaração dos Brics afirma que os países do bloco "foram os principais impulsionadores do crescimento global na última década e que atualmente representam cerca de um terço da produção global".

A carta também reforça o compromisso dos Brics com a defesa do meio ambiente sustentável, o combate à lavagem de dinheiro, ao terrorismo e ao uso indevido das tecnologias da informação e comunicação e afirma demonstrar "séria preocupação com a possibilidade de uma corrida armamentista no espaço exterior" (sideral).

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