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Memória de George Floyd em despedida acende 10º dia de protestos

As homenagens para Floyd, de 46 anos, se estenderão por seis dias e três Estados, disse o advogado da família de Floyd à mídia - Reuters
As homenagens para Floyd, de 46 anos, se estenderão por seis dias e três Estados, disse o advogado da família de Floyd à mídia Imagem: Reuters

Carolina Marins

Do UOL*, em São Paulo

05/06/2020 01h30

O décimo dia de atos contra o racismo nos Estados Unidos foi marcado pelas homenagens durante o funeral de George Floyd, homem negro morto após uma abordagem policial. As manifestações se repetiram de forma pacífica, até por volta das 22h, quando policiais de Nova York se voltaram contra os manifestantes.

Durante o dia inteiro a imprensa americana enfatizou que os atos ocorriam pacificamente, até que em Nova York os policiais começaram a repreender, alegando cumprimento do toque de recolher.

Imagens mostraram policiais empurrando manifestantes e profissionais da imprensa que cobriam os atos. Mais pessoas foram detidas, somando os mais de 10 mil presos contabilizados pela agência Associated Press.

Mais cedo, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, foi vaiado durante suas breves declarações na vigília no Brooklyn. Ainda assim, ele defendeu o toque de recolher implementado na cidade. "No contexto da crise, no toque de recolher, há um ponto em que já basta. Se os policiais dizem que agora é a hora de ir para casa, é hora de ir para casa."

Outras cidades que aplicavam o toque de recolher decidiram suspendê-lo durante o dia. O assassinato foi o estopim para a explosão dos protestos no país e pelo mundo — diversos manifestantes se reuniam em Atlanta, Los Angeles, Nova York e Washington DC.

Despedida a George Floyd

O assunto principal foi a despedida ao segurança negro Floyd. Este foi o primeiro de seis dias de homenagens. Após Mineápolis, cidade onde ele morreu, o funeral irá para Houston e Carolina do Norte.

Na cerimônia, os participantes ficaram em silência por 8 minutos e 46 segundos, tempo em que o policial Derek Chauvin ficou com o joelho pressionando o pescoço de Floyd, levando-o à morte.

Philonise Floyd, irmão de Floyd, contou histórias sobre George. Disse que sua família era pobre e que Floyd lavava as meias e roupas da família na pia e as secava no forno. Ele trazia um broche no terno com a foto de seu irmão e as palavras "não consigo respirar", as últimas de Floyd.

É louco, cara, todas essas pessoas vieram ver meu irmão, é incrível como ele tocou tantos corações
Philonise Floyd, irmão de George Floyd

O reverendo e veterano ativista pelos direitos civis Al Sharpton foi encarregado do discurso fúnebre. Nele, afirmou que Floyd "não morreu de uma doença comum, mas sim do mau funcionamento da justiça criminal dos Estados Unidos".

O que aconteceu com Floyd acontece todos os dias neste país. É momento de nos colocarmos de pé e, em nome de George, dizermos: tire esse joelho do meu pescoço
Reverendo Al Sharpton

A cerimônia, acompanhada de música e fortemente marcada pelas restrições para conter a disseminação da covid-19, teve momentos íntimos da família e a presença de personalidades como o reverendo Jesse Jackson, a senadora por Minnesota, Amy Klobuchar, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey.

Os atos antirracismo ganharam a adesão de profissionais da saúde que atuam na linha de frente no combate ao coronavírus no país.

Enfermeiros e médicos de Nova York, que foram aplaudidos diariamente por três meses, saíram em massa dos hospitais para denunciar a segregação racial no sistema de saúde pública e aplaudir os manifestantes.

Policiais no tribunal

Os três policiais acusados pela morte de Floyd — apenas Chauvin havia sido acusado até então — apareceram hoje no tribunal. Ontem, o procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, informou que eles seriam acusados de homicídio.

Um juiz estabeleceu uma fiança de 1 milhão de dólares para eles, que seria reduzida para US$ 750 mil se eles concordassem com certas condições, inclusive a de abrir mão de quaisquer armas de fogo pessoais. Eles devem voltar ao tribunal em 29 de junho.

Em outro caso de acusação racial que ganhou atenção nacional nos EUA, um tribunal ouviu ontem que um dos homens brancos acusados pelo assassinato do homem negro desarmado Ahmaud Arbery, na Geórgia, usou uma ofensa racial depois de atirar na vítima, e antes de a polícia chegar ao local.

Ahmaud Arbery estava se exercitando em uma rua residencial em fevereiro, quando um ex-policial e seu filho atiraram nele.

*Com Agências internacionais

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