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ONU defende liberdade de expressão e manifestação em Cuba; veja repercussão

11.jul.2021 - Protestos foram registrados em Havana, Cuba - Alexandre Meneghini/Reuters
11.jul.2021 - Protestos foram registrados em Havana, Cuba Imagem: Alexandre Meneghini/Reuters

Do UOL, em São Paulo*

13/07/2021 08h25Atualizada em 13/07/2021 11h16

A ONU se manifestou ontem sobre os protestos ocorridos no domingo em Cuba e cobrou que as autoridades locais respeitem plenamente a liberdade de expressão e de manifestação da população.

Bradando "liberdade" e pedindo a renúncia do presidente Miguel Díaz-Canel, milhares de cubanos se uniram em protestos de rua de Havana a Santiago, no leste do país.

"Estamos, simplesmente, observando o que acontece e queremos que os direitos básicos das pessoas sejam respeitados", afirmou o porta-voz da agência, Farhan Haq, em entrevista coletiva.

O representante da agência disse que as Nações Unidas mantêm uma "posição de princípio" sobre a importância de se respeitar as liberdades fundamentais, e completou que esse é o caso, atualmente, em Cuba.

A União Europeia cobrou hoje a libertação imediata dos manifestantes presos. "Pedimos às autoridades cubanas que libertem imediatamente as pessoas detidas por suas opiniões políticas e por seu trabalho jornalístico. Seu lugar não é na prisão", disse Peter Stano, porta-voz do alto representante da UE para Política Externa, Josep Borrell.

O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, pediu o fim da "repressão e perseguição" em Cuba e exigiu a libertação imediata das pessoas detidas após os protestos. "O regime não pode silenciar as pessoas que tomam as ruas para exigir mudanças e um futuro decente", pronunciou-se Almagro em sua conta no Twitter.

O secretário-geral do órgão interamericano com sede em Washington exigiu que o governo de Cuba, ao qual se referiu como "ditadura", liberasse todos os detidos imediatamente.

A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) condenou a prisão e os ataques a jornalistas independentes em Cuba durante os protestos e denunciou a interrupção do serviço de internet enquanto as manifestações estavam sendo transmitidas nas redes sociais.

Em comunicado, a organização regional também denunciou o apelo ao uso da força "com a clara intenção de restringir as liberdades de associação, imprensa e expressão".

Durante os protestos sociais que grupos de cidadãos realizaram em diversas cidades e províncias do país, "vários jornalistas foram atacados e presos arbitrariamente", denunciou a SIP.

A diretora para as Américas da Anistia Internacional, Erika Guevara Rosas, condenou as manifestações de Díaz-Canel, depois dos protestos, e cobrou que o governo atenda as demandas populares.

"A retórica inflamatória de guerra e de confronto do presidente Migue Díaz-Canel gera um ambiente violenta contra quem cobra prestação de contas e o livre exercício de seus direitos", disse a atual líder da organização, por meio de comunicado.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, pediu a Cuba que liberte imediatamente Camila Acosta, jornalista detida em Havana após cobrir os protestos para o jornal espanhol ABC.

"A Espanha defende o direito de se manifestar livremente e pacificamente e pede às autoridades cubanas que o respeitem... Exigimos a libertação imediata de Camila Acosta", tuitou Albares em seu segundo dia de trabalho.

Biden pede que Cuba 'ouça seu povo'

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse ontem que o país está ao lado do povo de Cuba em seus apelos por liberdade e alívio da pandemia de coronavírus e de décadas de repressão.

"Estamos com o povo cubano em seu apelo por liberdade e alívio do flagelo trágico da pandemia e das décadas de repressão e sofrimento econômico aos quais ele é submetido pelo regime autoritário de Cuba", disse Biden em um comunicado.

Já a Rússia, uma das principais defensoras das autoridades cubanas desde os tempos soviéticos, alertou hoje contra qualquer "interferência externa" na crise.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, reagiu a fala de Biden. "Consideramos inaceitável qualquer ingerência externa nos assuntos internos de um Estado soberano e qualquer ação destrutiva que favoreça a desestabilização da situação na ilha."

Ainda ontem, pouco antes de Biden emitir seu comunicado, Díaz-Canel culpou as sanções norte-americanas, que foram endurecidas nos últimos anos, por problemas econômicos como a escassez de remédios e blecautes que atiçaram os protestos.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, afirmou que é um "grave erro" acusar o país de estar por trás dos protestos populares em Cuba. De acordo com Blinken, eles são "reflexo" de um povo "profundamente cansado" com "má administração e repressão" por parte das autoridades cubanas.

Em entrevista coletiva, o secretário de Estado americano respondeu à acusação feita pelo presidente cubano de que "mercenários pagos pelo governo dos Estados Unidos" teriam organizado os protestos.

* Com informações da Ansa, EFE e Reuters